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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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O respeito ao profissional

Existem coisas as quais não devemos aceitar de forma alguma, e o desrespeito ao profissional é uma delas. Muitas vezes estamos nervosos e agimos de modo a faltar com a educação com aquela pessoa que está prestando um serviço. Não vou me eximir de culpa nisso, pois não foram poucas as vezes que destratei um trabalhador quando o mesmo estava no exercício de sua função (quem nunca falou mais alto ou grosso com um atendente de telemarketing, por exemplo?). Tenho tentado corrigir esse ímpeto que muitas vezes me domina, e venho melhorando. Agora, se tem uma coisa que me enerva profundamente é quando o desrespeito vem de uma pessoa que é profissional daquela área a qual ele mesmo está desrespeitando. Isso machuca os meus ouvidos e me dá uma vontade terrível de socar um ser humano que faz isso.

Meu dia tinha começado até bem hoje. Acordei as 05:30 da matina, como sempre. Tomei meu banho, para acordar por definitivo. Terminei de arrumar minha pasta com os materiais que iria utilizar em sala de aula hoje (para aqueles que não sabe, sou professor), tomei meu café da manhã, entrei no meu carro, liguei o rádio para ouvir umas músicas antigas e vim para o trabalho. Mas, aí, o humor virou por completo quando eu ouvi a falta de respeito ao profissional da educação, falta de respeito essa proferida por um outro profissional da educação. Isso doeu tremendamente no meu ouvido. Sabe quando uma fala te incomoda tanto que chega a doer dentro do você? Quando te aperta o coração? Então… doeu demais a fala. E acho que o problema começa por aí mesmo.

Muitos colegas meus professores reclamam que não é dado o devido valor ao educador no Brasil. Não há como discordar, isso é praticamente uma verdade absoluta. O professor em terras tupiniquins, de forma geral, recebe um salário baixo, é desrespeitado pelos mais variados setores da sociedade, e mesmo assim ainda tem que continuar trabalhando e ensinando como se tudo estivesse “lindo e maravilhoso”. Agora, no meu ver, o maior problema de todos dentro da área da educação é o fato de que os professores, muitos deles, não tem a real noção de sua importância dentro da sociedade e não fazem por onde para serem respeitados como professores.

O professor é uma pessoa que serve de espelho dentro do meio social. É ele que ensina, e as crianças vêem nele um modelo a ser seguido. Ser educador é como ser pai ou mãe, por um curto espaço de tempo, de dezenas de crianças. Não é uma simples profissão, não mesmo. O que eu falo em sala de aula, o que eu faço dentro das quatro paredes da sala de aula, é imitado por vários alunos. Se eu disser alguma coisa errada dentro de sala, existirá algum aluno que acreditará piamente que aquilo que eu disse é verdade, e não aceitará um questionamento a respeito daquilo, respondendo, quando questionado: “Mas, meu professor disse que é assim!”. Mas, infelizmente, temos colegas de profissão que acham que ser professor é ser como qualquer outro profissional, e não se dão o devido respeito.

Tive a real noção disso a partir do momento em que assumi uma sala de aula em um dia e um aluno meu comentou comigo: “É professor, te vi no bar.” Não estava fazendo nada de mais no bar. Estava tomando um suco, conversando com amigos e mais nada. Mas, só a noção de que o aluno me viu fora do ambiente escolar me deixou mais atento às minhas ações, ao meu modo de agir fora de sala de aula, ao meu portar e falar. Já tive aluno comentando que eu escrevi algo errado no Twitter. Até explicar que foi um erro de digitação (e realmente foi), a notícia já tinha se espalhado via RT, MSN e sala de aula. Ser professor é estar exposto a todo instante. É ser policiado pelos seus alunos a todos os momentos, em todas as instâncias (principalmente quando o professor da aula para turmas de ensino fundamental e médio, como eu).

Outra coisa que me incomodou bastante ao entrar no mercado como professor foi ver que existe um preconceito (velado e não velado) entre as disciplinas. Imaginava que o peso e importância delas era o mesmo (quando aluno), e notei que isso, infelizmente, não é verdade. Ver que sua matéria não tem importância frente a outras é um negócio que incomoda e não tenho como não ficar chateado ao ver colegas de profissão serem desvalorizados porque não são professores das “matérias mais importantes da grade curricular” (e eu sei que não se fala mais “grade curricular”, mas deixarei essa discussão para outro momento).

Agora, o pior de tudo, é ver que temos profissionais dentro da área de educação que estão em sala de aula por serem frustrados em não terem conseguido se dedicar à outras áreas. O que temos de químicos que são frustrados por não terem conseguido passar no vestibular de medicina, ou de matemáticos que não conseguiram passar em engenharia ou economia, ou historiadores que não conseguiram passar na faculdade de direito não é brincadeira. E aí, esses frustrados, entram na sala de aula, e ficam lá, frustrados e desvalorizando os professores de uma forma geral, não respeitando aqueles que são professores por que escolheram e acreditam, mesmo que seja utópico, que a educação é a principal força para mudar a nossa realidade.

 

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Uma resposta

  1. Espero que depois dessa você tenha se sentido mais “aliviado” de certa forma, de fato não é nada fácil ser professor, eu quando fui aluna notei inúmeras vezes a dificuldade de um professor a dar aula, a notável chateação quando algum aluno inconveniente dizia “sua matéria não reprova”, mas infelizmente isso não é culpa só de alunos, é como você disse, as vezes o próprio profissional se desvaloriza, e não só isso, a própria direção do colégio “acostuma” os alunos a vêem as coisas dessa forma – como se o aluno devesse certa prioridade a algumas matérias e outras não, indiretamente ou não – não generalizando, mas infelizmente acontece, e é o que eu sempre via. Lamentável.

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