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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Um instante de revolta…

Uma seriedade há muito perdida, que me pergunto se em algum momento de nossa vivência será recuperada, pois vejo que a mesma é necessária, mas a geração atual, infelizmente, não enxerga dessa forma.

Tenho receio do que ando vendo em meio aos jovens da atualidade. A banalização tem chegado a níveis perigosíssimos. Vivemos uma “coisificação” em uma sentido completamente literal. Pode ser fruto de uma sociedade que já vive há mais de 200 anos num mundo pós-moderno, pós-industrial e baseado fortemente em um capitalismo de viés liberal, na qual vemos a valorização cada vez maior do indivíduo e uma não preocupação com a coletividade, mesmo que muitos tentem convencer os outros, e a si mesmos, de que vivemos em um coletivo e somos solidários e pensamos no próximo. Me desculpem aqueles que me lêem, mas não vivemos isso não. A solidariedade, a justiça, virtudes platônico-aristotélicas há muito foram abandonadas. As instituições que fazem parte de nossa sociedade bradam por aí, tentando convencer os indivíduos seres sociais a terem uma preocupação com o próximo, a praticarem a caridade, e a sociedade entendeu isso de uma forma equivocadíssima. São caridosos, mas da boca para fora. Uma caridade que é só para fazer as vezes de santos, de bonzinhos. Mas, quando você vai observar a fundo a pessoa, nota que ela é mesquinha, que se em nada se preocupa verdadeiramente com o próximo. Que utiliza o outro como escada, como se tudo estivesse bem, como se nada de errado estivesse acontecendo.

Sinceramente, sociedade mesquinha, falha e ridícula, faça-me o favor. Que essa geração pós-moderna e pós-industrial passe logo e venha outra, para que possamos tentar mudar realmente o que está ocorrendo em nosso meio, em nosso cotidiano, e possamos construir uma sociedade realmente preocupada com o coletivo, que pensa no indivíduo não como um único ser, mas como alguém inserido em um ambiente de coletividade. Para que possamos construir uma sociedade que a preocupação primeira seja, antes do outro, antes do eu, o todo. E, dessa forma, caminhemos para uma realidade, para um futuro, que se distancie daquilo que muitos filmes apocalípticos pintam em suas histórias, e consigamos atingir a humildade de entendermos que nada somos nesse mundo em que vivemos, e justamente porque nada somos, devemos viver de forma coletiva, apoiando-se uns nos outros, e não empurrando uns aos outros.

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