Cores…

Uma visão de si mesmo em um ambiente iluminado, de luz tão intensa que fere os olhos, azul do céu, causando uma sensação de frieza, distância e desconforto.

Apenas está ali. Não pode-se dizer que não sabia o que o levava aquele local, ao contrário de outro, tempos atrás. Estava ali atendendo a uma chamado, uma convocação. Outros chegariam, e até já estavam próximos, pois o silêncio interno era tanto que ele conseguia ouvir passos ao longe e vozes. Ainda eram muito baixar, não lhe permitindo discernir o que era dito. Pareciam apenas sussurros. Os passos eram mais intensos, o solado no chão de madeira, e mulheres estavam lá, os tamancos. Como ele detestava aquele som, lembrava-lhe a vizinha do andar de cima, duas horas da manhã, de um lado para outro, enquanto o marido, embriagado, quebrava mais alguma coisa. Copos, pratos, jarras, a televisão de 42 polegadas Full HD (nesse dia ela não ficou em silêncio, mas gritou justamente esse detalhe). Ele riu.

As paredes começaram a ficar brancas, a luz mudando. Da frieza do azul, agora tudo começava a se tornar mais claro, e depois aqueceu-se. Amarelo. E cinco pessoas entraram. Nuas, pintadas de cores quentes. Sem seus cabelos. Olhavam para ele, mas não diretamente, apenas uma. A mulher. Ela tinha uma marca no rosto. Parecia um corte, feito sem cuidado, talvez acidental, talvez proposital. Estava pintada de roxo. “Engraçado”, pensou ele. A cor lhe era familiar, não lembrava ao certo de onde. Mas, não teve tempo para isso. Quando viu, já…

“Amarrado? Como?”

“Umidade?”

“Verde…?”

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