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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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“Só” é um eufemismo

Observar o ambiente, o cotidiano, a nossa sociedade é um costume o qual eu sempre tive. Nunca consegui parar de olhar e pensar nas questões que estão ocorrendo a todo instante a nossa volta. Deve ser por isso que escolhi como profissão algo tão ligado assim a vivência em sociedade, que é a docência.

Não é simples ser professor, na verdade nunca foi. Algumas pessoas tem a ideia errada de que hoje é mais difícil ensinar do que há 20, 30 anos atrás. Muito pelo contrário. Se observarmos todos os recursos hoje a nossa disposição, ficou até mais “fácil”, caso nos propusermos a fazer uso desses recursos. Mapas animados, vídeos, documentários, filmes, datashow, notebooks, recursos multimídias dos mais diversos estão à nossa disposição, para enriquecer as aulas, para torná-las cada vez mais didáticas. E se tudo isso pode parecer muito novo para alguém, é importante sempre lembrar que o Powerpoint, um dos programas mais populares para a elaboração de apresentações de slides dinâmicas para a projeção existe há quase 20 anos (isso se não for a mais tempo). Documentários e filmes então nem se fala, pois esses estão presentes ainda há mais tempo em nosso cotidiano.

Mas, então, por que ainda temos tantos professores que permanecem na didática do “quadro e giz” (ou “quadro e pincel”)? Que ficam horas e mais horas durante o dia falando, dando aulas expositivas, com pouca interação dos alunos? Que mal fazem uso de mapas comuns, daqueles de pendurar no “preguinho” do quadro?

Por incrível que pareça, aquele profissional que deveria ser o mais disposto a se adaptar, a buscar novos meios didáticos, a encontrar métodos didáticos mais eficazes é o que tem maior dificuldade em aceitar e se dispor a mudar. Professores “apanham vergonhosamente” de simples planilhas de registro de frequência e nota, não tem noção de como fazer uma formatação correta de página e parágrafos no editor de texto e olham para um navegador de internet como se fosse um bicho de sete cabeças.

Lidar com mudanças realmente é algo complicado e que não somos, de forma geral, muito afáveis com tal situação. Queremos a estabilidade, a permanência das coisas, pois lidar com o diferente significa sair do conforto, da segurança de saber sempre o que fazer, como lidar de que forma atuar, agir, etc. Experiências não são para todos, mas para uma pequena camada de pessoas que tem em seu espírito, em sua “formação neural” aquele interesse, aquele ímpeto praticamente incontrolável de mudar algo de lugar, de misturar as coisas, de fazer um prato com gêneros alimentícios diversos. É meio que uma tradição manter as coisas como estão, viver de forma segura. Os grupos humanos sempre buscaram essa segurança desde os seus primórdios, e entre os professores a necessidade de uma segurança é ainda maior.

Em todos os sentidos, em diversas situações o ambiente da sala de aula já nos traz mudanças e experiiências novas o tempo inteiro. Ministrar aulas todos os dias para pessoas que são bem mais jovens que você (a não ser quando o professor está em início de carreira, onde comumente a diferença de idade não é tão grande assim), é um desafio e tanto. Além disso, pessoas que foram criadas em realidades completamente diferentes, que passaram por situações, formações únicas e que muitas vezes em nada se assemelham àquela que você teve ao longo da sua história de vida. Adolescentes em uma fase complexa de suas vidas, na qual passam por todos os tipos de pressões e situações, tendo de lidar com uma enxurrada de transformações e informações.

Diante disso tudo, temos um corpo docente que se acostumou a permanência. Dão sempre as mesmas aulas, sempre do mesmo jeito, abordando as mesmas questões, dando importância aos mesmos trechos, como se o ensino não fosse dinâmico, não se alterasse, não mudasse. E essa permanência em longa duração ocorre pois o sistema educacional sempre foi assim. O professor não começa a ser formado na universidade, na faculdade, no curso de licenciatura. O professor começa a ser formado na sala de aula, quando ele ainda é aluno do ensino fundamental e médio e observa a forma como os seus professores de então ministram suas aulas, baseia-se em seu comportamento, em suas atitudes de sala de aula. É nisso que o professor se baseia. Quando ele entra em sala de aula pela primeira vez o pensamento que vem à cabeça dele, inevitavelmente é: “Como que o meu professor agiria?”. Para tudo ele se baseia nesse pensamento. É natural do homem. O ser humano sempre se baseia na experiência, no outro que fez aquilo antes dele para poder tomar suas atitudes, suas decisões, seus posicionamentos. “Se o quadro e giz funcionava há 15 anos atrás, por que ele vai deixar de funcionar agora?” Já ouvi isso da boca de professor. E já pensei dessa forma.

Não pense aquele que lê essas linhas que eu sou o professor mais antenado, o qual se utiliza de todos os recursos de multimídia existentes e a minha disposição para usá-los em minhas aulas. Não sou esse tipo mesmo. Cerca de 70% das minhas aulas são “quadro e giz”, expositivas e infelizmente com pouca participação dos alunos. Uma falha minha, uma falha de outros professores e é uma realidade do nosso sistema educacional. Mesmo estando numa era na qual a informações está a nossa disposição a todo alcance e instante, ainda é uma marca muito forte a imagem que os alunos fazem de que o professor é o detentor do saber, de que o professor é quase uma entidade superior que sabe tudo que se liga, de alguma forma, a disciplina que ele explica. E tal visão faz bem ao ego dos professores, e para qeu eles permaneceçam com essa imagem de que são os detentores do conhecimento, aqueles que sabem mais do que os próprios alunos a respeito das coisas eles continuam da forma como llhes é mais segura: dando aulas do mesmo jeito que faziam há anos e anos atrás.

Devemos quebrar essa amarra. Mudar esse pensamento, alterar a forma como se dá a relação do alluno com o professor, do professor com o conhecimento e da dinâmica de sala de aula. Celular existe, câmera existe, Twitter existe, Facebook existe, Orkut também. E muitos outros recursos estão aí, a nossa disposição, para que possamos usá-los, tirar deles os recursos, melhorarmos nossa didátca. “Só” precisamos sair da zonha de conforto.

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