• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Reféns

O conflito está presente, a todo instante que somos o que somos e vivemos o que vivemos. A sociedade nos transforma em reféns. Somos reféns, como bem disse uma amiga minha hoje. Mas, não apenas na situação por ela levantada. Somos reféns de forma ainda mais profunda, ainda mais densa, em questões as quais muitas vezes sequer percebemos.

Vivemos uma pseudo-liberdade, na qual somos levados a acreditarmos que somos livres para podermos escolher aquilo que bem entendemos, para ser aquilo que tanto sonhamos, para termos aquilo que também ansiamos, quando, na verdade, as limitações que existem para que alcancemos o que desejamos são tão grandes, tão presentes que nem nos damos conta de que somos limitados o tempo todo e mesmo assim acreditamos em nossa liberdade.

É igual acreditar em livre-arbítrio. Ele não existe, nem nunca existiu dentro do meio social. O próprio mito da criação do cristianismo já demonstra que o mesmo é apenas uma ilusão. Nos é dado o mesmo, mas em contra partida, nos é dito aquilo que não devemos fazer em hipótese alguma. Então, que livre-arbítrio é esse, que é limitado pela entidade divina? É tudo uma alegoria criada para retratar um período de grandes limitações que uma sociedade vivia e a crença que a mesma tinha de que essas limitações tinham sempre um motivo e um motivador.

A sensação de cativeiro nos é constante e não podemos deixar de perceber isso. Você realmente é livre para fazer aquilo que bem entende? Você realmente tem a possibilidade de ter tudo que deseja? Liberdade de questionamentos? De pensamento? De ação? Ou é um refém do meio econômico, das normas sociais, das leis coercitivas, dos aparelhos repressores do Estado?

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