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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Perguntas que devemos nos fazer sobre nossa contemporaneidade

Até quando vamos observar o caos que se insere em nossa sociedade e deixaremos o mesmo ganhar força?

Confesso que fiquei abismado ao abrir o jornal no dia de hoje e ver sorrindo, atrás das grades, um homem que foi preso em flagrante espancando a esposa. Ele estava sorrindo. Ontem vimos a notícia de que uma favela em São Paulo, a favela do Moinho, foi incendiada por causa de uma discussão doméstica entre marido e “mulher”, deixando mais de 300 pessoas sem suas casas.

Esse caos vem numa crescente, desde que o homem começou a formar as primeiras sociedades e as mesmas foram se tornando cada vez mais e mais complexas. É uma escalada, que não consigo ver como podemos impedir que ela continue crescendo cada vez mais.

Vivemos um processo de desestabilização estrutural grave no seio de nossa sociedade, que é a família. As sociedades indígenas que antes habitavam a América tinham a família como principal espaço social, assim como as famílias em sociedades da Antiguidade, no Oriente e outros locais. Contudo, hoje a família perdeu sua estrutura. Vemos cada vez mais famílias onde falta alguma figura basilar. Filhos que são criados apenas pelo pai, ou somente pela mãe. Ou por nenhum dos dois, tendo sua criação relegada aos avós ou outros parentes. Isso é algo grave e complexo.

A criação de um filho sempre é algo complicado. Ao educar um filho(a) estabelece-se um conflito de gerações, que é justamente ele determinante para que valores não se percam e ao mesmo tempo se atualizem. Por mais que tenhamos uma influência muito grande dos conceitos morais de nossos pais, o fato de sermos de uma geração mais nova nos permite construir conceitos próprios, ideias novas, adaptações e recontextualizações. E como conceitos que são tão importantes para a formação do indivíduo como ser civilizado inserido dentro uma sociedade podem ser construídos quando o mesmo não observar concretude dentro de seu próprio lar, no microcosmo que ele foi criado?

Ideias básicas como “honrar pai e mãe”, “respeitar os mais velhos”, entre outras máximas que aprendemos em casa estão sendo deixadas de lado a partir do momento em que crianças observam que seus pais não se respeitam, não valorizam os próprios pais deles. Li na semana passada uma reportagem na Folha de São Paulo a respeito do grande número de idosos que foram simplesmente abandonados por seus familiares no leito dos hospitais. Idosos que sofreram derrames e por isso ficaram com alguma sequela simplesmente foram “esquecidos” por seus próprios filhos no leito dos hospitais. Segundo dados da reportagem publicada no dia 14/09, de Cláudia Collucci, o número de idosos abandonados por suas famílias chega a 20% do total de internados. Há até o caso que, para mim, beira o absurdo de uma, hoje, senhora de 78 anos que vive no Hospital D. Pedro II há exatos 67, sendo abandonada aos 11 anos de idade com paralisia nas pernas.

E com isso tudo, o caos social só aumenta, e o número de absurdos sociais só tenderá a se ampliar cada vez mais enquanto a base continuar cada vez mais desajustada. O que fazer para ajustar tal base e valores antes simples e nunca deixados de lado sejam novamente presentes em toda a formação de gerações futuras e não sejam esquecidas por elas? O que fazer para não termos mais espancadores de esposas sorrindo em jornais? O que fazer para não termos mais pais abandonando filhos e filhos abandonando pais em leitos de hospitais? São algumas das várias perguntas sobre a sociedade contemporânea que temos de nos fazer.

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