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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Caminhando para uma ética fascista…

O que é um comportamento ético? A ética depende de questões pessoais de entendimento a respeito do que vem a ser ética? Ou seria algo delimitado por normas sociais bem claras em constituição o qualquer coisa que o valha? Tenho me questionado isso de um tempo para cá. Na verdade, quando se fala desse assunto, me questiono a respeito do mesmo sempre. É inevitável na minha profissão, na qual eu convivo com os mais diferentes tipos de pessoas, mais diversos estratos sociais, com posicionamentos ideológicos dos mais variados. E, observando isso tudo, e dentro de uma aula de Filosofia, fui acometido perguntei-me: O que é ética? Existe uma única ética? E se ela existisse, isso seria bom? Ou seria praticamente uma sociedade ditatorial, ao passo que colocaria como correta uma única forma de pensamento a respeito de algo que pode ser tão pessoal? Se é que isso é pessoal mesmo.

E essas perguntas ficam passeando pela minha mente volta e meia. Hoje, retornou, no momento em que coloquei um comentário no meu Twitter, dizendo um dado de uma reportagem que estava assistindo na televisão (um dos raros momentos em que não estava utilizando minha TV como monitor para o netbook). O dado era o seguinte: em cinco anos, no estado de São Paulo, a polícia matou 2500 pessoas em suas ações de defesa da ordem. Aí eu comentei que isso dá uma média de 500 pessoas por ano, o que para mim é um índice altíssimo. E então leio um comentário de que se forem bandidos esse número ainda foi pouco. Ao passo que eu respondi de pronto: desculpe, mas não sou fascista. Agora, o motivo de me vir a mente o assunto ética novamente é o seguinte: sendo bandido, isso por si só, justifica matá-lo? Tal pensamento lembra-me muito o do deputado citado no artigo que você tem abaixo no meu blog. E, os questionamentos não param em minha mente pelo simples fato de que eu não consigo deixar de pensar no que a nossa sociedade está se transformando de tempos para cá.

Lembro de uma discussão que tive no Twitter, no ano passado, com amigos meu que defenderam veementemente a invasão da Polícia Militar e do Exército ao complexo do Morro do Alemão, e fechavam os olhos para as atrocidades que estavam sendo cometidas pelos policiais que deveriam defender a sociedade de práticas que eles mesmos estavam tendo ao invadir a casa das pessoas. Policiais que invadiram o complexo do Morro do Alemão entraram em casas, destruíram tudo que estava lá dentro e roubaram pertences. E mesmo com isso ainda tínhamos pessoas batendo palmas para essas policiais, e alguns justificando o roubo daqueles que devem garantir a segurança e impedir que os cidadãos sejam roubados.

Que abandono de valores é esse que nossa sociedade contemporânea vive? Que quebra de princípios básicos é esse que vivemos hoje em dia? Ou a pergunta correta seria: estamos construindo novos princípios básicos em nossa sociedade, caminhando para um fascismo que de disfarçado lentamente vai se tornando claro?

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A democracia a favor da defesa da tortura

Uma discussão se iniciou e, mais uma vez por causa da velocidade que a mídia quer imprimir às notícias hoje em dia, e já vem terminando sem ter sequer atingido o mínimo do que ela deveria atingir com base no fato que ocorreu na segunda-feira a noite em um programa de televisão.

Ao conceder entrevista em um quadro do programa CQC, da Rede Bandeirantes de Televisão, o deputado federal Jair Bolsonaro aprontou mais uma das suas, só que dessa vez foi em rede nacional de televisão e “atacando” uma artista, filha do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, a cantora Preta Gil. Bolsonaro é um daqueles políticos que qualquer democracia deveria se envergonhar de permitir que chegassem ao poder: político de extrema direita, homofóbico, defensor da tortura e do regime militar, Bolsonaro é um daqueles seres repugnantes que existem dentro do legislativo brasileiro. E, não pensem vocês que ele iniciou sua carreira política há pouco tempo e é um desses casos “Clodovil” ou “Tiririca”. Bolsonaro foi eleito deputado federal em 1990, no período de redemocratização do Brasil. De um Brasil machucado por quase 30 anos de regime de ditadura militar, perseguições à oposicionistas políticos, tortura e desaparecimento de pessoas tidas como comunistas e possíveis riscos para a segurança nacional. Bolsonaro é fruto equivocado de um período do qual a nação brasileira deve se envergonhar, mas não deve se esquecer jamais.

Justamente por isso assombra Bolsonaro estar no legislativo federal. Como que um representante de tudo que existiu de mais absurdo no regime político brasileiro, um defensor de um período no qual todos os direitos civis, políticos e humanos foram negados à sociedade brasileira, consegue mais de 120 mil votos? ( http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/2010/deputado-federal/21031955-jair-bolsonaro.jhtm ). O número é esse meu caro leitor. Existem 120 mil cidadãos cariocas que defendem os mesmos ideais políticos e sociais de Jair Bolsonaro. 120 mil cariocas são defensores da tortura, do militarismo, da ditadura, do fim da democracia, são homofóbicos, tem preconceito de raça, acham que o presidente FHC deveria ter sido fuzilado (http://www.terra.com.br/istoegente/28/reportagens/entrev_jair.htm), defendem a truculência e a falta de respeito aos direitos humanos e acham que os deputados federais não tem de se preocupar com o que pensam os eleitores (http://www.portaldepaulinia.com.br/brasil/politica/10428-jair-bolsonaro-nao-quero-voto-de-ignorante.).

E, mesmo com isso tudo, Bolsonaro está sendo esquecido pela mídia, sendo deixado de lado. Uma discussão importantíssima para o amadurecimento da nossa democracia está sendo limada. A me pergunto: o que os meios de comunicação querem ao deixar de abordar esse assunto?

Se você ainda não viu a entrevista do Jair Bolsonaro no CQC, segue abaixo o link do vídeo: