DISPUTA, IMAGEM, INDIVIDUAL, COLETIVO

Olhando em torno de tudo o que nos cerca, simplesmente vemos uma realidade que nem parece plena. Os que nos comandam não tem ética, e são cobrados por outros que na primeira oportunidade passam a perna, buscam vantagens, esquecem do outro, não pensam no coletivo.

Pensar no coletivo dói para alguns, é a única explicação que consigo chegar. É impressionante como não há mais disposição em se colocar no lugar do outro, não se para mais para escutar o que o outro está falando. Não! Cada vez mais o que muitos querem é apenas satisfazer seus egos, vangloriar-se, disputar atenção. É algo simplesmente insano, sem lógica alguma. Disputa-se até quem sofre mais, quem perde mais…

Nessa disputa constante, todos perdem, todos são prejudicados. O coletivo não existe mais, travestiu-se de individualismo preocupado com a imagem, e apenas isso. O que se quer é passar uma imagem de bom, de humilde, de generoso. Agora, ser realmente, sem se preocupar em aparecer, em ter destaque por conta disso, aí não! Tem que postar no Instagram, tem que publicar no Facebook, tem que anunciar aos quatros cantos o quanto se é bom! Afinal, a disputa é presente constante!

E quando isso vai um dia acabar? Aí, não faço ideia, e sendo sincero, nem consigo vislumbrar.

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Umbigocentrismo

O que podemos comentar ao observarmos um mundo, uma sociedade como essa na qual estamos inseridos? O caos domina a tudo e a todos nesse meio no qual nos encontramos. As pessoas perderam noções básicas de coletividade, de vida em sociedade. O “umbigocentrismo” está cada vez mais presente. E eu continuo a me impressionar com isso. E, então, o que começo a me perguntar, e isso que me dá mais medo, pois isso só demonstra que essa quebra de valores começa a afetar até a nossa crença em nossas próprias ideias, mas o que questiono é se meu modo de pensar não parou no tempo, se eu também, ao questionar isso tudo, não estou pensando apenas no meu umbigo e achando que a opinião que vale é a minha.

Um instante de revolta…

Uma seriedade há muito perdida, que me pergunto se em algum momento de nossa vivência será recuperada, pois vejo que a mesma é necessária, mas a geração atual, infelizmente, não enxerga dessa forma.

Tenho receio do que ando vendo em meio aos jovens da atualidade. A banalização tem chegado a níveis perigosíssimos. Vivemos uma “coisificação” em uma sentido completamente literal. Pode ser fruto de uma sociedade que já vive há mais de 200 anos num mundo pós-moderno, pós-industrial e baseado fortemente em um capitalismo de viés liberal, na qual vemos a valorização cada vez maior do indivíduo e uma não preocupação com a coletividade, mesmo que muitos tentem convencer os outros, e a si mesmos, de que vivemos em um coletivo e somos solidários e pensamos no próximo. Me desculpem aqueles que me lêem, mas não vivemos isso não. A solidariedade, a justiça, virtudes platônico-aristotélicas há muito foram abandonadas. As instituições que fazem parte de nossa sociedade bradam por aí, tentando convencer os indivíduos seres sociais a terem uma preocupação com o próximo, a praticarem a caridade, e a sociedade entendeu isso de uma forma equivocadíssima. São caridosos, mas da boca para fora. Uma caridade que é só para fazer as vezes de santos, de bonzinhos. Mas, quando você vai observar a fundo a pessoa, nota que ela é mesquinha, que se em nada se preocupa verdadeiramente com o próximo. Que utiliza o outro como escada, como se tudo estivesse bem, como se nada de errado estivesse acontecendo.

Sinceramente, sociedade mesquinha, falha e ridícula, faça-me o favor. Que essa geração pós-moderna e pós-industrial passe logo e venha outra, para que possamos tentar mudar realmente o que está ocorrendo em nosso meio, em nosso cotidiano, e possamos construir uma sociedade realmente preocupada com o coletivo, que pensa no indivíduo não como um único ser, mas como alguém inserido em um ambiente de coletividade. Para que possamos construir uma sociedade que a preocupação primeira seja, antes do outro, antes do eu, o todo. E, dessa forma, caminhemos para uma realidade, para um futuro, que se distancie daquilo que muitos filmes apocalípticos pintam em suas histórias, e consigamos atingir a humildade de entendermos que nada somos nesse mundo em que vivemos, e justamente porque nada somos, devemos viver de forma coletiva, apoiando-se uns nos outros, e não empurrando uns aos outros.