• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Amadurecimento…

Sabe quando você era mais novo e olhava para a linha do horizonte imaginando como seria o seu futuro, e nem acreditava que algumas daquelas coisas que você imaginava poderiam vir a ser possíveis, ou viajava por causa da falta de noção das coisas?

Me peguei tentando lembrar das coisas que imaginava sobre o meu próprio futuro quando eu era criança. E fico impressionado como muita coisa mudou em relação a tudo aquilo que eu imagina que seria possível, que iria ocorrer. Prioridades se alteraram, gostos mudaram, vontades deixaram de existir e outras surgiram. Experiências novas ocorreram e hoje, o presente que tenho é muito diferente daquele futuro que eu imagina há 20 anos atrás.

Já sou uma pessoa adulta e as vezes ainda me assusta enxergar isso. Ver a passagem do tempo nos mínimos detalhes de meu próprio ser é algo que muitas vezes me deixa um tanto quanto “incomodado” e, ao mesmo tempo, me deixa feliz por observar que me tornei uma pessoa, até certo ponto, dentro daquilo que considero como uma boa pessoa. Não que eu não apresente defeitos. Muito pelo contrário. Eles estão presentes, e sempre estarão. Mas, busco superá-los, não deixar que eles venham a interferir em mim mesmo como ser humano e aprendo comigo mesmo, pois o pensamento constante em mim, e que me faz me considerar um boa pessoa, é a humildade socrática do “só sei que nada sei” e do “conhece-te a ti mesmo”.

“Conhece-te a ti mesmo”.

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Experiências de retorno

Experiências de retorno sempre são interessantes, principalmente quando retornamos para algo que tanto gostávamos, mas que por motivos dos mais variados, acabamos por nos distanciar delas. Essa semana eu tive uma dessas experiências de retorno.

Há cerca de um mês eu fui convidado por um grande amigo meu, Thiago Brandão Zardini (que mais que amigo, tenho-o como meu irmão de coração), para apresentar uma palestra a respeito de meu antigo objeto de pesquisa, de quando ainda estava na faculdade: Festejos religiosos do século XIX. Falei com ele que estava mais do que enferrujado, que cinco anos distante do mundo acadêmico tinham me deixado atrasado frente à pesquisa nessa área e tudo o mais.

Mas, a bem da verdade, o maior problema em relação a isso tudo residia em um detalhe: MEDO. Realmente, eu estava amedrontado de passar vergonha, de fazer com que meu amigo e a instituição a qual ele representa (Faculdade SABERES) passassem por algum tipo de constrangimento por causa de um palestrante despreparado e tal. Mas Thiago acabou por me convencer e lá fui eu me preparar para a tal apresentação. E onde que eu consegui me preparar da forma como imaginava que me prepararia? Um monte de coisa aconteceu que atrapalhou meus estudos para a apresentação. Correria na escola onde eu trabalho, projetos e provas, correções de atividades, e questões de caráter estritamente pessoais também acabaram por dificultar toda a preparação. E, aí, na véspera da apresentação, estava eu desesperado, sem saber o que fazer. Foi então que minha noiva me ajudou a colocar as ideias no lugar e a pensar racionalmente, deixando o pânico que dominava a minha mente de lado. E preparei-me da melhor forma possível e fui. E, não é que, entre os “trancos e barrancos”, a apresentação foi um sucesso muito maior do que eu esperava. E, também me ajudou a enxergar, que realmente, um retorno à algumas coisas do passado são necessárias para que possamos voltar a viver plenamente felizes. Hoje eu vejo, que preciso retornar ao mundo acadêmico, voltar a pesquisar, a ler artigos acadêmicos. Não que eu não me sinta feliz dando aula para ensino fundamental e médio. Me sinto sim muito feliz nessa área do ensino, mas não posso deixar de negar, que a área do nível superior, e as discussões que ela pode vir a gerar e incentivar me cativam e fazem com que eu queira, mais do que nunca, continuar a minha formação. Fazer a minha segunda graduação (em Ciências Sociais), meu mestrado e doutorado.

Pois foi muito bom ouvir, de outro grande amigo e irmão meu, Danilo Barcelos Corrêa: Bem-vindo de volta.

Passado de todos nós…

Estava pensando agora pouco, com meus botões, no passado que cada um de nós tem em nossas vidas… É natural do homem, desde o primórdios, uma necessidade grande de deixar sua marca pelos locais onde passou. Começou lá na pré-história, com as pinturas rupestres, com a invenção da escrita passamos a deixar diários e outros documentos mais, e hoje em dia a quantidade de coisas que são marcas de nossa presença na história é algo que não dá para contarmos. São fotos, vídeos, desenhos, roupas, utensílios, construções, e mais um monte de coisas. Como historiador que sou, gosto de observar essas marcas da história em meu dia a dia, e ver as mudanças que ocorreram comigo ao longo de minha vida… Abro meu guarda roupa e vejo dois ternos, camisas sociais, calças sociais… Aí lembro do meu guarda roupa seis anos atrás, e lembro que nem o tinha… Era apenas um cabideiro, com alguma camisas que não cabiam dentro da cômoda… Penso no que tinha há seis anos atrás, e comparo com o sou hoje, em 2011… Em alguns aspectos, envelheci bem (mentalmente falando, dado que fisicamente… rs)… Mudei muito, amadureci… Mas, bom… Há 6 anos atrás eu tinha 23 anos… Hoje, 29… Faz uma diferença e tanto… A gente aprende muito com tudo isso… E esse aprender nos torna mais pensativos e observadores de tudo que se encontra em nossa entorno, buscando entender a esse mundo que fazemos parte e isso tudo que existe por aí e em nós… Penso no meu próprio eu anos atrás, tão imaturo, que tomava atitudes impensadas e falava sem se importar com aquilo que poderia acontecer com outros, opiniões… E hoje vejo o quanto elas são importantes… O retorno de tudo e de todos… O crescimento nos traz isso, e crescemos sempre… Aprendizado constante…

P.S.: Essa postagem foi originalmente escrita no dia 23/03/2011, e só hoje termino-a, mesmo que não a contento… rs