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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Alienação disfarçada…

Olhares muitas vezes se perdem e são perdidos, quando não prestamos atenção em tudo que está a nossa volta. E prestar atenção em tudo que está a nossa volta não é uma tarefa das mais fáceis, não mesmo.

O dinamismo da sociedade atual, com uma proliferação de notícias, pensamentos, opiniões e por aí vai torna tudo cada vez mais complexo de ser acompanhado. É só observarmos os telejornais que veremos que notícias que eram as mais veiculadas há duas semanas simplesmente desapareceram das chamadas, e poucas menções são feitas às mesmas. Há pouco tempo o Egito estava nos jornais, e nos tornamos “experts” em política egípcia. Caiu Mubarak e aí já veio a Líbia e Kadaffi, e nos tornamos novamente “experts” em política líbia. E aí veio o tsunami e os terremotos no Japão e as pessoas esqueceram-se de Kadaffi (ele não saiu da Líbia não, viu? Continua lá, mandando matar de “três por dois”.). Mas, voltando, veio o tsunami e os terremotos no Japão, e depois a crise de superaquecimento nos reatores nucleares e nos tornamos “experts” em energia nuclear (não em tsunami, pois nisso já havíamos nos tornado “experts” em 2004). E, agora, o que está na mídia, só Deus sabe até quando, é o caso do “Assassino do Realengo”, e já estamos nos tornando “experts” em psicopatia.

Mas o problema é que a velocidade com que isso tudo é jogada em nossa frente traz uma superficialidade tremenda. São repórteres que entrevistam especialistas que tem um tempo reduzidíssimo para falar a respeito do fato que está sendo veiculado, e aí a profundidade daquilo que é falado é menor que a de um pires de uma xícara de chá. E devido a essa superficialidade tamanha das notícias veiculadas hoje em dia me pergunto se não vivemos uma alienação disfarçada de excesso de informação. Em outubro de 2007, Stephen Kanitz escreveu um texto magnífico intitulado “Cuidado com o que ouvem“. Nele, o autor trabalha justamente a questão do excesso de informação e do impacto que a mesma pode trazer para a superficialidade do conhecimento. Trabalhando esse texto com alunos meu do 1º ano do Ensino Médio, no ano passado, tive discussões muito interessantes dentro de sala de aula, e os alunos chegaram a conclusões, uma das quais justamente é essa que disse linhas acima, sobre uma alienação disfarçada.

Aí me pego a pensar: engraçado, vivendo numa era de facilidade de busca da informação, e incentivo a uma constante atualização, vivermos uma realidade na qual nos tornamos alienados sem querermos e sem percebermos.

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Julgar?

O susto irremediável de coisas que ainda estão por vir entra em minha mente e a toma de assalto. Penso nas mais diversas coisas e muitas vezes me perco no pensar incessante e louco e, por muitas vezes, sem nexo em tudo aquilo que ainda penso e tenho que agir. Mas, a ação irrefreável é inevitável e agimos assim, meio que por impulso, buscando fazer aquilo que consideramos correto, por mais incorreto que possa vir a parecer aos olhos do outro. Mas, e o que esse outro tem a ver com isso tudo que vem em nossa mente e em nossos atos se não simplesmente julgar? E, quando julga, por que o faz?

Julgar é uma mania que todos trazem incutida em seu viver, em seu modo de agir e de pensar. Julgamos a todo instante, pensando em tudo. Até quando achamos que estamos no máximo de nossa alteridade e do relativismo, mesmo assim julgamos, porque não há como fugir disso. O sonho do antropólogo, do cientista social, era justamente poder analisar sem julgar de maneira alguma, sendo complemente livre de quaisquer preconceitos na hora de sua análise. Mas, pego a pensar em qual contribuição isso realmente teria, e se seria realmente sensato tal posicionamento para a análise e o entendimento do todo que está sendo observado e por aí vai.

É possível tal desprendimento? E se o for, o mesmo realmente é benéfico? Sempre me perguntei isso e acho que devemos nos questionar. Temos que entender e respeitar sempre e deixarmos de ter nossa própria opinião? E ter nossa própria opinião, de certa forma não é um preconceito, daqueles velados e permitidos? E o que vem a ser preconceito? O que vem a ser julgamento?

Valores…

Tem algumas coisas que realmente devemos discutir e pensar muito. Alguns valores que consideramos que são universais simplesmente vemos que não são, e justamente por isso que falar em universalidade de valores é algo complexo. Lembro quando converso a respeito de cultura com meus alunos nas aulas de sociologia e aí começamos a discutir a respeito da alteridade e por aí vai, e sempre chegamos em alguns questionamentos que são inevitáveis. Existem realmente valores universais? “Normas” que deveria ser respeitadas por todas as pessoas da sociedade global, superior a suas características sócio-culturais específicas?

Conversando com minha mãe agora há pouco, ela leu para mim um trecho de uma reportagem que fala a respeito de uma escola própria para meninas que a cantora Madonna estava querendo abrir, já há alguns anos, no Maláui, na África. E a mesma simplesmente não pôde ser feita, pois a população, mesmo depois de uma compensação financeira por parte da artista (e não do governo), alegou que por estarem naquela região há muitas gerações não poderiam sair da mesma, o que fez com que a cantora, pelo menos por enquanto, deixasse de lado a intenção de montar a escola. Tudo bem que, como historiador, entendo a questão da valorização que os povos africanos dão ao solo e como o mesmo compõe a identidade da tribo e por aí vai. Mas, e os valores? E a importância da educação para dar a uma geração melhores condições de vida, de formação, de crescimento pessoal, profissional e social? São discussões que não podemos deixar morrer nunca…