• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
  • Calendário

    outubro 2017
    S T Q Q S S D
    « maio    
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    3031  
  • Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

    Junte-se a 281 outros seguidores

  • Pessoas!

    • 2,377 pessoas!

Velocidades do tempo

A vida parece ser muito mais lenta quando estamos descansando há algum tempo distantes de toda a correria que é o grande centro urbano.

Há uma semana eu tive o prazer de, mais uma vez, pegar o carro e fugir do centro urbano caótico que tem se tornado a Grande Vitória a cada dia que passa. Peguei o caminho do litoral norte e fui em direção à Vila Pavão. Próxima a Barra de São Francisco, depois de Colatina, é simplesmente um lugar paradisíaco, no que diz respeito a paz e tranquilidade. Um trânsito quase inexistente, o cheiro de terra molhada por causa da chuva, o som de pássaros e galos a cantar logo cedo e um céu com uma quantidade de estrelas que é impossível de se ver em qualquer “cidade grande”. Como é bom estar no interior.

Até meus 16 anos eu morei a vida inteira no interior do estado do Espírito Santo, e pude comprovar como a vida é muito melhor em locais mais simples, com menor quantidade de habitantes e sem o relógio a ditar todos os seus passos, suas decisões. Pois, venhamos e convenhamos, que invenção mais maldita o tal do relógio. Os relógios sempre existiram, desde o século XVI a.C., no Egito Antigo. Mas, foi por culpa de Santos Dumont e Louis Cartier que os relógios se tornaram extremamente populares e começaram a adornar nossos pulsos, mas bem antes disso o tempo já dominava nossas vidas plenamente, principalmente a partir do século XIX e toda a loucura industrialista e por aí vai…

Mas, em Vila Pavão, a minha última preocupação foi com o tempo. Para ser mais sincero ainda, eu nem tirei o meu celular de dentro do carro (a não ser no sábado a noite, véspera de voltar para casa, que aí cedi a tentação de verificar emails, facebook, twitter e outras pragas tecnológicas que depois que começamos a usar não conseguimos viver sem). Mas, até o sábado a noite, nada de olhar para horas. Quando alguém me perguntava as horas por lá, simplesmente respondia que não fazia ideia alguma, e que não era para se preocupar com o tempo. Lá, na roça, o que importava de verdade era ficar de conversa, comer um delicioso churrasco, um “cafezin” doce, pão com manteiga e por aí vai…

Inevitável, voltar à realidade se faz necessário, pois não tem como viver de forma bucólica para sempre. E no domingo voltamos para a realidade, o grande centro urbano, com seus carros, seus semáforos, o trânsito enfurecido e tudo aquilo que só uma metrópole pode nos trazer. Mas, Vila Pavão permanece lá, e eu me preparo para assim que for possível voltar e viver em ritmo desacelarado, mesmo que seja por poucos dias, mas são dias que aproveito ao máximo e me desprendo do tempo que tanto rege minha vida.

Anúncios

Vou-me

Vou-me agora,
Em direção ao conforto
Buscando sossego
Querendo paz
Tranquilidade
Descanso

E,
Por isso mesmo que
Vou-me
Não para longe
Mas para um lugar aqui do lado
Quentinho e aconchegante

E apenas,
Então,
Acabo com esse ensaio
E vou-me,
De vez…

Boa noite!