Impossibilidades constantes na inconstância que nos acomete

Intolerâncias pensadas,
Ações inconstantes,
Atitudes que não apresentam lógica,
Numa sociedade cada vez mais densa.

Por que estamos em um meio,
Num ato que em tanto difere,
Mas que em muito se estabelece,
Como único possível,
Dentre tantos impossíveis?

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XIX

A sensação é estranha, para todos nós… Vivemos em uma realidade, num cotidiano que se acelera a cada segundo… A sensação que temos é a mesma descrito de Júlio Verne no século XIX, mas não mais a respeito do mundo, e sim a respeito do tempo. Verne disse em meados do século XIX que o mundo parecia estar diminuindo de tamanho… Hoje, atrevo-me a falar, numa paráfrase (seria esse o termo?), que os minutos parecem estar menores…

Pensei nisso ao sair com minha esposa a noite… Comemoramos ontem 7 meses de casados e nos demos de presente um jantar na Barra do Jucu… Fomos em um delicioso restaurante próximo a praça e depois de jantarmos passeamos um pouco… Meio que sonhando, imaginamos como seria bom morar ali naquele local… Uma calma tão grande, um silêncio, uma tranquilidade… Sonhamos, imaginamos… Depois, entramos no carro e 10 minutos já estávamos no centro de Vila Velha… Gritante a diferença de ritmo…

Por que esse acelerar tão grande? Por que estamos nesse ritmo ensandecido…? Qual o impacto disso em nosso pensamento, na nossa psique… Provavelmente diversos estudos a respeito disso já foram feitos e ainda o são, mas mesmo assim não me furto a deixar de questionar e pensar, comigo mesmo e também com meus amigos, a respeito do ritmo cada dia mais acelerado em que estamos vivendo… O já citado século XIX foi o propulsor disso tudo… Um pouco antes dele, no XVIII já houve esse processo de aceleração… Mas, a intensificação disso tudo se deu no XIX e suas máquinas rápidas, o trem a vapor, a comunicação de longa distância e a transformação da estática fotografia no cinema (para mim a demonstração máxima de como a velocidade ganhou importância para o homem, dado que o cinema nada mais é do que fotos tiradas em alta velocidade para que passadas uma após a outra em um ritmo específico elas deem a ilusão do movimento)…

É óbvio que o XIX teve uma importância tremenda em nosso cotidiano, afinal de contas, esse meio de comunicação que uso hoje para publicar meus textos só surgiu devido a tudo que ocorreu naquele século… Mas, e essa correria? O que pensar sobre ela, como agir sobre ela e dentro dela?

Esperar

Em espaços inúteis esperamos muito, investimos tanto, criamos expectativas. E, depois disso tudo, nos decepcionamos, quando vemos que algo que não estava sobre nossa responsabilidade, mas que nos foi dada a mesma, simplesmente não dá certo, corre tudo ao contrário do que prevíamos e, desse forma, nos perdemos em meio a tantos pensamentos e “ses” do que viria a ocorrer.

Um basta!

Muitas vezes um basta é necessário.

Uma decisão forte, precisa, daquelas que não se volta atrás, por mais que se queira, é necessária na vida de qualquer indivíduo. Ter um posicionamento forte nos ajuda a andar para frente, a mudar as coisas, a tomar novos rumos.

Tomei essa decisão, e mudanças já passaram a ocorrer, pois elas são necessárias. Não dá mais para andar da forma como tudo está andando. Infelizmente, por mais que parecesse bom, não está sendo mais e o desgaste está sendo cada vez maior. Agora, é lidar com a situação da melhor forma que for possível até que a mudança venha a trazer seus resultados maiores. Mas, é definitivo. A fase que estou é passageira, tem prazo certo. É o tempo para completar a formação que desejo alcançar e, então, alçar novos vôos.

Tudo vai mudar, da forma como deveria ter mudado anos atrás. Mas, não me arrependo. O amadurecimento foi grande. Me tornei uma pessoa melhor. E, agora, com esse aprendizado que tive nesses seis anos, colocarei tudo isso em prática dentro dessa minha retomada, dentro dessa empreitada.

Daqui pra frente, tudo muda!

Que realidade é essa?

Que caminhos estamos percorrendo dentro dessa sociedade insana, que muitas vezes se passa de uma forma que nem conseguimos imaginar, simplesmente passando como se tudo fosse repentino, instantâneo, em uma efemeridade que beira a inexistência?

Valores há muito foram corrompidos, nos mais diferentes setores de nossa sociedade. A intolerância chegou em tal nível que vemos pessoas achando a coisa mais comum do mundo, e até justificando a mesma.

Dentro do pensamento do politicamente correto, não podemos mais emitir opinião de nada. Dar a sua opinião virou motivo para ser taxado de ditador, discordar dos outros então… Virou uma afronta mortal para alguns.

O que vale é a individualidade, cada vez mais. O que o outro pensa, a forma de agir dos outros, isso pouco importa. E, então, vamos nesse ritmo, e ficando abismados ao vermos pessoas incendiando mendigos. Nos assustamos com a crescente nos índices de violência. Ficamos boquiabertos com a falta de sensibilidade alheia.

Essência do ser

Partimos de um tudo, em busco de um ponto específico. Corremos fitando o horizonte, para chegarmos em locais próximos de nós. Interessante percebemos como essa situação toda se estrutura em nossa vivência, em nosso dia-a-dia.

O cotidiano é composto de certezas e incertezas, de erros e acertos, de possibilidades e impossibilidades. E, incrível é o quanto nos preocupamos com aquilo que nós é impossível. Não focamos nas questões que estão ao nosso alcance, dentro de nossa realidade.

Pensamos apenas em ter mais, em querer mais. Uma ambição desenfreada, que nos foi incutida pela realidade econômica que vivemos em nossa sociedade. A valorização exacerbada do ter, e ter sempre mais do que tínhamos antes e até do que nos é necessário para viver.

Apartamentos novos, com áreas de lazer imensas, piscinas, parquinhos, churrasqueiras. Carros novos, com ítens de conforto e segurança dos mais variados. Roupas “de marca”, feitas com “tecidos inteligentes”. Computadores e celulares de última geração, com funções das mais diversas. E a mídia, a propaganda, faz com que a sociedade acredite que tudo isso é de extrema necessidade para que venhamos a ser o que somos.

E, então, me lembro de Parmênides e a essência de sua contribuição para a filosofia na antiguidade. Da realidade imutável. Daquilo que nos faz ser. E tento entender porque então valorizamos tanto o sensível na constituição de nossa existência.