• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
  • Calendário

    outubro 2017
    S T Q Q S S D
    « maio    
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    3031  
  • Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

    Junte-se a 281 outros seguidores

  • Pessoas!

    • 2,377 pessoas!

“A serbian film”

Há algum tempo eu venho acompanhando a retomada da censura no país. Até então tal censura estava vindo de forma velada. Os próprios indivíduos estavam agindo de forma reacionária, se colocando contrários a produções televisivas e fazendo emissoras atenuarem suas temáticas (como foi feito na telenovela “Amor e Revolução”) ou até tirá-las do ar (como o que ocorreu com o seriado norte-americano “Lonestar”). Mas, o que vem a ocorrer agora é algo muito mais grave e que nos faz pensar nos tempos da ditadura, na qual havia um órgão censor estatal que agia muitas vezes e limitava a liberdade de expressão nas manifestações artísticas em solo brasileiro.

Há cerca de duas semanas a película “A Serbian Film” foi proibida de ser exibida e teve o processo avaliativa de classificação indicativa suspenso. Motivo: incentivo à pedofilia e necrofilia. Sem dúvida alguma, tais atos são repugnantes e completamente reprováveis dentro da vivência social contemporânea. Porém, a justiça brasileira esquece-se do fato de que os indivíduos são seres pensantes e com direito a liberdade de escolha e que não necessitam de ser limitados ao extremo em seu acesso às obras de arte ou quaisquer outras manifestações possíveis. Independente de quaisquer motivos, a proibição de exibição de uma obra artística, qualquer que seja ela, é um atentado a um direito inalienável do homem, a liberdade.

Para aqueles que quiserem mais detalhes a respeito dessa atrocidade, indico como leitura um texto no blog do crítico de cinema Pablo Villaça – Um filme sérvio e os ditadores do bom gosto.

Anúncios

A democracia a favor da defesa da tortura

Uma discussão se iniciou e, mais uma vez por causa da velocidade que a mídia quer imprimir às notícias hoje em dia, e já vem terminando sem ter sequer atingido o mínimo do que ela deveria atingir com base no fato que ocorreu na segunda-feira a noite em um programa de televisão.

Ao conceder entrevista em um quadro do programa CQC, da Rede Bandeirantes de Televisão, o deputado federal Jair Bolsonaro aprontou mais uma das suas, só que dessa vez foi em rede nacional de televisão e “atacando” uma artista, filha do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, a cantora Preta Gil. Bolsonaro é um daqueles políticos que qualquer democracia deveria se envergonhar de permitir que chegassem ao poder: político de extrema direita, homofóbico, defensor da tortura e do regime militar, Bolsonaro é um daqueles seres repugnantes que existem dentro do legislativo brasileiro. E, não pensem vocês que ele iniciou sua carreira política há pouco tempo e é um desses casos “Clodovil” ou “Tiririca”. Bolsonaro foi eleito deputado federal em 1990, no período de redemocratização do Brasil. De um Brasil machucado por quase 30 anos de regime de ditadura militar, perseguições à oposicionistas políticos, tortura e desaparecimento de pessoas tidas como comunistas e possíveis riscos para a segurança nacional. Bolsonaro é fruto equivocado de um período do qual a nação brasileira deve se envergonhar, mas não deve se esquecer jamais.

Justamente por isso assombra Bolsonaro estar no legislativo federal. Como que um representante de tudo que existiu de mais absurdo no regime político brasileiro, um defensor de um período no qual todos os direitos civis, políticos e humanos foram negados à sociedade brasileira, consegue mais de 120 mil votos? ( http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/2010/deputado-federal/21031955-jair-bolsonaro.jhtm ). O número é esse meu caro leitor. Existem 120 mil cidadãos cariocas que defendem os mesmos ideais políticos e sociais de Jair Bolsonaro. 120 mil cariocas são defensores da tortura, do militarismo, da ditadura, do fim da democracia, são homofóbicos, tem preconceito de raça, acham que o presidente FHC deveria ter sido fuzilado (http://www.terra.com.br/istoegente/28/reportagens/entrev_jair.htm), defendem a truculência e a falta de respeito aos direitos humanos e acham que os deputados federais não tem de se preocupar com o que pensam os eleitores (http://www.portaldepaulinia.com.br/brasil/politica/10428-jair-bolsonaro-nao-quero-voto-de-ignorante.).

E, mesmo com isso tudo, Bolsonaro está sendo esquecido pela mídia, sendo deixado de lado. Uma discussão importantíssima para o amadurecimento da nossa democracia está sendo limada. A me pergunto: o que os meios de comunicação querem ao deixar de abordar esse assunto?

Se você ainda não viu a entrevista do Jair Bolsonaro no CQC, segue abaixo o link do vídeo: