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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Greve do metrô X Greve das Universidades

Ontem, conversando rapidamente com um amigo a respeito do evento da greve dos metroviários, percebemos, mais uma vez, o quanto os valores estão deturpados em nossa sociedade.

A visibilidade que a paralização de ontem tomou foi uma coisa absurda. Tudo bem que é São Paulo, a grande metrópole do Brasil, com seus números absurdos e superlativos mais ainda. Mais de 200 km de congestionamento realmente é muita coisa e incomodou uma galera e tanto. Suspensão do rodízio de veículos, quebra-quebra e tal. Realmente, é muito difícil ficar sem o transporte coletivo que leva as pessoas de um lado para o outro dentro da cidade. Na Grande Vitória, onde resido, quando pararam algumas vezes os motoristas e cobradores de ônibus, tudo ficou um caos e congestionado (mas lógico que não no mesmo nível que São Paulo).

Mas, o que nos deixou estupefato foi a velocidade com que as coisas se resolveram dentro dessa situação. Ontem mesmo, as 16:36h foi dada a notícia de que os metroviários tinham fechado acordo com o sindicato patronal e decidido pelo fim da greve. Menos de um dia e tudo se resolveu. Aumento dado, vale-refeição de 20 reais por dia (quase R$ 600,00 em um mês) e aumento acima da inflação.

Tudo isso apareceu o dia inteiro em jornais televisivos, com plantões no meio da programação e muito espaço dentro da mídia. Realmente, causou transtorno. Mas, enquanto a Folha de São Paulo, o G1, o R7 e muitos outros veículos de notícia estampam em letras imensas de seus portais a tamanho do congestionamento de ontem (249 km), praticamente não vemos notícia a respeito da greve das universidades de nosso país. 44 universidades de nosso Brasil estão paralisadas, e outras estão em processo de adesão ao movimento grevista. São os pesquisadores de nosso país, são os professores que formam profissionais como engenheiros, médicos, dentistas, outros professores. E o espaço para essa discussão é pouco. Não se discute o descaso com a educação em nosso país. Prefere-se dizer que o índice de reprovação está elevado, do que buscar entender os fatores que levaram a índices como esses.

Mas, alguns podem dizer que o quadro da docência está melhorando. Me pergunto se está mesmo. Faço parte de uma minoria dentre os professores. Tenho uma boa remuneração, trabalho em uma rede de ensino reconhece os méritos dos bons profissionais, recebo meu salário em dia. Mas, infelizmente, essa não é a realidade da imensa maioria dos professores, sejam de escolas públicas ou privadas de nosso país. E essa, muito menos, é a realidade dos professores de nossas universidades. Enquanto vereadores ganham 10 mil reais, deputados 15 mil, senadores 20 mil, um professor doutor de universidade federal mal chega a 5 mil. Mas, não, isso não importa. Milhares de profissionais com formação de excelência e publicações acadêmicas não tem importância dentro do quadro brasileiro. Dá um aumento para os professores do ensino regular, um aumento em um piso que é ridículo e assim o permanece mesmo após o aumento e o que prefeitos fazem é viajarem para Brasília para reclamar do aumento, como se a educação fosse um fardo econômico para se carregar ao invés de um investimento com retorno garantido.

O descaso é imenso. Mas, é assim que caminha a nossa sociedade. Metroviários tem seus acordos em poucas horas, enquanto professores universitários passarão meses em greve e, provavelmente, nada alcançarão.

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Valores…

Tem algumas coisas que realmente devemos discutir e pensar muito. Alguns valores que consideramos que são universais simplesmente vemos que não são, e justamente por isso que falar em universalidade de valores é algo complexo. Lembro quando converso a respeito de cultura com meus alunos nas aulas de sociologia e aí começamos a discutir a respeito da alteridade e por aí vai, e sempre chegamos em alguns questionamentos que são inevitáveis. Existem realmente valores universais? “Normas” que deveria ser respeitadas por todas as pessoas da sociedade global, superior a suas características sócio-culturais específicas?

Conversando com minha mãe agora há pouco, ela leu para mim um trecho de uma reportagem que fala a respeito de uma escola própria para meninas que a cantora Madonna estava querendo abrir, já há alguns anos, no Maláui, na África. E a mesma simplesmente não pôde ser feita, pois a população, mesmo depois de uma compensação financeira por parte da artista (e não do governo), alegou que por estarem naquela região há muitas gerações não poderiam sair da mesma, o que fez com que a cantora, pelo menos por enquanto, deixasse de lado a intenção de montar a escola. Tudo bem que, como historiador, entendo a questão da valorização que os povos africanos dão ao solo e como o mesmo compõe a identidade da tribo e por aí vai. Mas, e os valores? E a importância da educação para dar a uma geração melhores condições de vida, de formação, de crescimento pessoal, profissional e social? São discussões que não podemos deixar morrer nunca…