• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
  • Calendário

    agosto 2017
    S T Q Q S S D
    « maio    
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031  
  • Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

    Junte-se a 281 outros seguidores

  • Pessoas!

    • 2,373 pessoas!

Perguntas que devemos nos fazer sobre nossa contemporaneidade

Até quando vamos observar o caos que se insere em nossa sociedade e deixaremos o mesmo ganhar força?

Confesso que fiquei abismado ao abrir o jornal no dia de hoje e ver sorrindo, atrás das grades, um homem que foi preso em flagrante espancando a esposa. Ele estava sorrindo. Ontem vimos a notícia de que uma favela em São Paulo, a favela do Moinho, foi incendiada por causa de uma discussão doméstica entre marido e “mulher”, deixando mais de 300 pessoas sem suas casas.

Esse caos vem numa crescente, desde que o homem começou a formar as primeiras sociedades e as mesmas foram se tornando cada vez mais e mais complexas. É uma escalada, que não consigo ver como podemos impedir que ela continue crescendo cada vez mais.

Vivemos um processo de desestabilização estrutural grave no seio de nossa sociedade, que é a família. As sociedades indígenas que antes habitavam a América tinham a família como principal espaço social, assim como as famílias em sociedades da Antiguidade, no Oriente e outros locais. Contudo, hoje a família perdeu sua estrutura. Vemos cada vez mais famílias onde falta alguma figura basilar. Filhos que são criados apenas pelo pai, ou somente pela mãe. Ou por nenhum dos dois, tendo sua criação relegada aos avós ou outros parentes. Isso é algo grave e complexo.

A criação de um filho sempre é algo complicado. Ao educar um filho(a) estabelece-se um conflito de gerações, que é justamente ele determinante para que valores não se percam e ao mesmo tempo se atualizem. Por mais que tenhamos uma influência muito grande dos conceitos morais de nossos pais, o fato de sermos de uma geração mais nova nos permite construir conceitos próprios, ideias novas, adaptações e recontextualizações. E como conceitos que são tão importantes para a formação do indivíduo como ser civilizado inserido dentro uma sociedade podem ser construídos quando o mesmo não observar concretude dentro de seu próprio lar, no microcosmo que ele foi criado?

Ideias básicas como “honrar pai e mãe”, “respeitar os mais velhos”, entre outras máximas que aprendemos em casa estão sendo deixadas de lado a partir do momento em que crianças observam que seus pais não se respeitam, não valorizam os próprios pais deles. Li na semana passada uma reportagem na Folha de São Paulo a respeito do grande número de idosos que foram simplesmente abandonados por seus familiares no leito dos hospitais. Idosos que sofreram derrames e por isso ficaram com alguma sequela simplesmente foram “esquecidos” por seus próprios filhos no leito dos hospitais. Segundo dados da reportagem publicada no dia 14/09, de Cláudia Collucci, o número de idosos abandonados por suas famílias chega a 20% do total de internados. Há até o caso que, para mim, beira o absurdo de uma, hoje, senhora de 78 anos que vive no Hospital D. Pedro II há exatos 67, sendo abandonada aos 11 anos de idade com paralisia nas pernas.

E com isso tudo, o caos social só aumenta, e o número de absurdos sociais só tenderá a se ampliar cada vez mais enquanto a base continuar cada vez mais desajustada. O que fazer para ajustar tal base e valores antes simples e nunca deixados de lado sejam novamente presentes em toda a formação de gerações futuras e não sejam esquecidas por elas? O que fazer para não termos mais espancadores de esposas sorrindo em jornais? O que fazer para não termos mais pais abandonando filhos e filhos abandonando pais em leitos de hospitais? São algumas das várias perguntas sobre a sociedade contemporânea que temos de nos fazer.

A instituição mais importante

Há algumas semanas atrás eu fiz uma sessão “flashback”, republicando textos antigos meus que falam a respeito das mulheres. O primeiro deles a ser republicado justamente falava a sobre a maternidade. Então, hoje, enquanto via o jornal na televisão, qual o tamanho do meu susto quando escuto que uma mulher foi presa na noite passada na zona leste de São Paulo com 16 mil pedras de crack.

O tráfico de drogas não é um problema recente na sociedade mundial, muito menos na brasileira. Durante o período colonial houve uma série de casos registrados de contrabando das mais diversas drogas, principalmente a aguardante (um tipo de cachaça, uma droga lícita, que tanto traz problemas de saúde em nossa sociedade até hoje). Só por essa pequena observação já podemos perceber o quanto o problema é antigo e presente em nossa sociedade. Porém, hoje em dia tais entorpecentes vem atingindo a população de uma forma cada vez mais intensa e, assim como em períodos antigos, muitas pessoas se utilizam da “cegueira” das autoridades responsáveis e buscam atender à filosofia do nosso sistema econômico e se utilizam do vício de outras pessoas para enriquecerem de forma ilícita.

Mas, o problema aqui é ainda mais grave do que simplesmente o tráfico de drogas (que já é um problema seríssimo) e faz com que se ligue ao meu texto anterior. A mulher que estava com  essas 16 MIL pedras de crack (além de morfina, cocaína, maconha e uma arma), para não levantar suspeitas, levava consigo a filha, de um ano de idade. Isso é um caso isolado? Infelizmente não. Casos como esse, não só de mulheres, mas de homens também, fazerem uso de seus filhos para enganar as autoridades é algo recorrente. E nisso tudo, a família, uma instituição importantíssima, vai se esfacelando, perdendo crédito e deixando de fazer aquilo que é mais importante para essa criança de 1 ano de idade que estava com sua mãe: a formação de valores.

Pais e mães são como heróis para seus filhos até uma certa fase de suas vidas. Principalmente durante a infância, os pais são infalíveis, superiores, gênios, corretos em tudo que dizem. É um desafio muito grande como educador quando em sala de aula eu acabo por desmentir algo que o aluno sabia porque seu pais ou sua mãe tinha dito em casa. Ao observar notícias como essa de hoje me pergunto quais as verdades, quais os valores que algumas crianças estão recebendo em suas casas e, principalmente, qual o impacto que essas verdades terão sobre a formação dos adultos que serão essas crianças e da sociedade na qual tais adultos estarão inseridos.

São questionamentos que devemos fazer para tentar encontrar o rumo da família nesse novo contexto, a instituição mais importante dessa nossa sociedade.

Férias acabam…

Hoje, quarta-feira, inicia-se a minha última semana de férias. É incrível como o tempo parece passar cada vez mais rápido, mesmo que estejamos em casa, sem fazer absolutamente nada… Tudo bem que não fiquei tão atoa assim nas minhas férias… Viajei: um passeio muito bacana que fiz para Petrópolis e Paraty, no RJ… Curti o ano novo na casa dos meus avós, e fiquei acordado até a virada (algo que não fazia já tinha algum tempo)… Conheci pessoas muito interessantes (e uma delas espero que continue conhecendo cada vez mais)… Me diverti com tardes de sábado onde tudo que eu fiz foi passar entre amigos (e esse próximo sábado terei mais uma edição dessa, agora com uma deliciosa moqueca que vamos preparar na casa de um amigo)… Fiquei com minha família, o que sempre é bom, pois tenho um família maravilhosa… Fiquei sem carro por mais de uma semana (está na oficina, pois bateram nele no final do ano passado… coisas de trânsito, acontece…) e acertei todos os computadores aqui de casa (além de dar, adiantado, um notebook novo, em conjunto com minha mãe, de presente de aniversário para meu pai)…

Bom… Esse foi um breve resumo das minhas férias… Quarta-feira da semana que vem recomeço a trabalhar, ainda não efetivamente em sala de aula… Mas, no dia 01/02 o ano letivo já começa e o bicho vai novamente pegar… Mas, esse ano de 2010 tem tudo para ser muito legal e interessante… Já começou bem, e só vai melhorar, não tenho dúvidas quanto a isso…