• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
  • Calendário

    junho 2017
    S T Q Q S S D
    « maio    
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    2627282930  
  • Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

    Junte-se a 281 outros seguidores

  • Pessoas!

    • 2,356 pessoas!

O natural do homem

Temos vivido, nesses últimos dias, investidas intensas, como nunca imaginamos ser possível. Fomos atingidos em um lugar o qual imaginávamos ser o berço da correção e da atuação perfeita. Porém, com tudo isso, fomos lembrado daquilo que não podemos jamais esquecer.

Por mais que o homem ao longo de sua história tenha formado comunidades, grupos sociais para garantir a sobrevivência da espécia – e tal costume vem desde a pré-História – o homem é, por natureza, um ser individualista. O próprio procurar viver em comunidade é uma demonstração, por mais que possa parecer o contrário, desse individualismo que é inerente ao ser humano. O é, pois o homem só buscou viver em comunidade como forma de garantir a sua sobrevivência, uma vez que necessitava de outras pessoas para que pudesse ser atingida a sua sobrevivência plena em todos os aspectos. Mas, esse individualismo a todo instante aparece, mesmo dentro dos grupos sociais. É a vontade de ter um objeto diferente, ser melhor que o outro, se vestir diferente, usar acessórios que são únicos. Podem pensar, muitos que leem aqui, que isso é natural do ser humano e que não há individualismo algum nisso. Mas, se pararmos para observar muito bem, essa busca pela identidade própria só é uma demonstração discreta (ou não) do quanto o indivíduo é, simplesmente, um indivíduo, que pensa no outro pelo simples fato de que o outro é necessário para a sua existência e que se o mesmo assim não o fosse, com certeza ele não conviveria com ele e “passaria por cima” para poder garantir a sua vontade.

E o que podemos fazer frente a isso tudo que ocorreu e ainda ocorre dentro do centro de uma instituição que até então pensávamos ser inatingível? Confiar em Deus e entregar nas mãos dEle todas as decisões que temos de tomar. Muitos já foram, e outros ainda irão. O baque foi grande ao perceber-se o quão individualista pode ser o homem, inclusive aqueles que se dizem seguidores de uma doutrina tão coletiva quanto o cristianismo. Passar por cima de uma doutrina tão forte quanto a que foi desrespeitada é algo assustador, que muitos ainda estão perdidos frente a isso. Mas não podemos nos deixar abater. O individualismo está presente desde o mito da criação existente em Gênesis. Mas, a necessidade do coletivo também está lá, presente de forma ainda mais forte do que o indivíduo. Temos de nos pautar nas Escrituras para não nos deixarmos levar pela nossa vontade natural de sermos apenas indivíduos que não se preocupam com o próximo. O individualismo não é a base de nossa doutrina, e nunca deverá ser. A nossa base é a união, a coletividade. Essa é a base que está em nossas Escrituras, as quais consideramos Sagradas.

Raciocínio

A reflexão, o ato de pensar, analisar, raciocinar é algo intrínseco ao ser humano, e uma dádiva que nos foi dada por Deus, a qual não podemos deixar de utilizar.

Imagino se o homem não tivesse desenvolvido a sua capacidade de pensar. Não existiríamos da forma como somos hoje, quiçá existiria ainda o homem nesse imenso planeta que chamamos amorosamente de Terra.

Há milhares de anos atrás o primeiro homem surgiu em nosso planeta (homem esse chamado, dentro do mito da criação cristão de Adão). Junto dele, surgiram outros seres humanos, e óbvio que sua companheira também (dentro do mesmo mito, chamada Eva). Assim como no mito, esse primeiro casal (junto com outros seres humanos, não presentes no texto bíblico) inicialmente viveram de tudo aquilo que era disponível no local (assim como o mito, local esse chamado de Jardim do Éden). Eram caçadores e coletores. Se alimentavam de pequenos animais que estavam próximos deles (os quais caçavam) e das frutas e outros gêneros alimentícios que conseguiam colher (por isso coletores). Esse tipo de processo de alimentação e busca de sobrevivência foi fundamental para o início do processo de ocupação territorial de tudo aquilo que foi criado pelo ser divino.

Dentro de todo esse processo expansionista começou o homem a fazer uso de sua capacidade de observação e raciocínio. Em locais nos quais os grupos humanos conseguiam ficar mais tempo, devido a abundância de alimentos, os grupos humanos começaram a observar que sementes dos frutos por eles colhidos e comidos, ao caírem no solo, depois de alguns meses vinham a brotar e até proporcionar novos alimentos. Observando esse presente divino, e fazendo uso da capacidade mais importante que Deus lhe deu, o homem desenvolveu a agricultura.

Também por meio da observação e do pensar, o homem observou que era possível construir cercados e dentro deles colocar os pequenos animais que lhes eram tão importantes para a sua alimentação, e que esses animais eram capazes de se reproduzirem e darem origem a outros animais (assim como os próprios homens) e desse modo eles teriam mais alimentos e não precisariam, assim, sair para caçar, não correndo riscos maiores.

Toda essa capacidade de observação e raciocínio foi deveras importante para o aumento da população humana no planeta Terra, tornando o mesmo cada vez mais habitado por seres racionais, pensantes e observadores, que hoje, milhares de anos depois dos primeiros homens que surgiram na Terra, criticam a capacidade de raciocínio do homem, uma vez que ela trouxe para o mesmo um desenvolvimento desenfreado e um processo de poluição intenso.

Não devemos criticar a nós mesmos, tacar pedra em algo tão maravilhoso que é o nosso cérebro. Devemos, sim, fazer uso dessa capacidade de raciocínio e observação para buscarmos aquilo que sempre buscamos: um meio melhor para se viver e garantir a nossa sobrevivência em meio as dificuldades que se mostram em nosso cotidiano.

Vamos ao léu…

E vão ao léu, em busca daquilo que nem sabem o que é, mas simplesmente vão, em busca de tudo e de todos, sem pensar no que isso trará para eles, e nem pensam nisso mesmo, pois não convém e incomoda. Atrapalha pensar nas consequências de tudo que nossas ações podem trazer. É melhor ir e fazer, apenas fazer. E a pergunta que surge é se isso é atitude, porque se pensarmos bem, atitude é agir, e agir é de forma consciente. E fazer, por fazer é consciente ou não?

Nostalgia do trabalho (Carta Capital)

Achei esse artigo abaixo simplesmente fantástico e resolvi compartilhá-lo aqui com meus leitores… Foi publicado no site da Carta Capital, no domingo, dia 23/01/2011. Espero que gostem.

 

Nostalgia do trabalho

Thomaz Wood Jr.23 de janeiro de 2011 às 10:58h

Ao longo dos séculos, o trabalho passou por várias mutações. A Grécia Antiga não o tinha em alta conta: seus luminares o consideravam um inimigo da virtude, a brutalizar a mente dos homens e inutilizá-los para as atividades mais nobres: a política e a filosofia. O Renascimento recuperou o valor do trabalho e elegeu seu herói: o mestre artesão, capaz de dele extrair sustento e arte.

No entanto, foi com a Revolução Industrial que o trabalho atingiu o seu apogeu, sendo celebrado como motor da modernização e da transformação do mundo. Hoje, a nossa sociedade tem outros deuses: cultua mais o consumo do que a produção, valoriza mais a imagem do que o fato, celebra mais o cargo do que o batente.
Significativamente, surgem aqui e acolá nostálgicos da velha ordem. Notem, por exemplo, a proliferação de profissionais bem-sucedidos com “hobbies sérios” ou “atividades paralelas”. Parece estar crescendo o número de médicos pintores, financistas carpinteiros e engenheiros moveleiros. Como se não bastassem as longas e estressantes jornadas de trabalho, muitos profissionais mostram-se ávidos em localizar espaço na agenda para desenvolver e exercitar suas competências manuais. Sintomático!
O norte-americano Matthew B. Crawford seguiu os passos do sucesso ditados pela nova sociedade da informação: obteve um Ph.D. na Universidade de Chicago e conseguiu emprego em um think tank em Washington, D.C. Entretanto, não demorou para se desiludir com a manipulação de ideias e se frustrar com o restrito uso de seu intelecto. Então, retornou algumas décadas na tecnologia e dois séculos na organização do trabalho: foi montar uma oficina de reparos de motocicletas antigas. No livro Shop Class as Soulcraft An Inquiry Into the Value of Work (The Penguin Press, 2009), Crawford narra sua saga e defende seus argumentos.

O autor parte da constatação de que uma mudança substantiva está em curso: o que antes fazíamos, agora compramos pronto; o que antes consertávamos, agora substituímos. Estamos, com isso, perdendo nossas habilidades manuais e nos tornando mais passivos e dependentes. Pior: estamos também perdendo alguns fatores intrínsecos de satisfação do trabalho.

Para Crawford, o retorno ao artesanato, como mecânico de motocicletas, devolveu-lhe o verdadeiro sentido do trabalho. Primeiro, porque o resultado é claramente visível e reconhecido pelo cliente. Segundo, porque o trabalho envolve operações cognitivas complexas que dependem de conhecimento prático e experiência acumulada. Terceiro, porque sua posição lhe confere um lugar na comunidade.

O autor argumenta que quem trabalha mais próximo dos fenômenos naturais consegue estabelecer correlações e princípios mais coerentes, enquanto quem lida permanentemente com abstrações e ignora a matéria-prima da realidade tende a gerar dogmas com base em poucas observações. Para o autor, o conserto de motocicletas envolve raciocínio mais amplo e complexo do que o trabalho no think tank, o contrário do que apontaria o senso comum.
Mas qual a raiz da desvalorização do trabalho artesanal? Segundo os manuais de gestão, o ponto de inflexão deu-se pela consolidação da linha de produção fordista e pela disseminação dos princípios de administração científica, que ocorreram no início do século XX. Esses fenômenos gêmeos aumentaram significativamente a produtividade, reduziram custos de manufatura e criaram as bases para a sociedade de produção e consumo em massa. Como efeito colateral, eles marginalizaram o trabalho artesanal. A separação entre o planejamento do trabalho (realizado por especialistas e gerentes) e a execução do trabalho (realizado mecanicamente por operários) destruiu algumas características que proviam satisfação intrínseca ao trabalho.

Esse movimento, que começou na indústria, avança agora firme no setor de serviços. Os bancos, as seguradoras e os hospitais têm processos que estão sendo cientificamente racionalizados, como se fossem linhas de produção. A separação que ocorreu com o trabalho industrial está agora ocorrendo com o trabalho no setor de serviços: enquanto os gestores se atolam em reuniões, PowerPoints e ­e-mails, o trabalho nos porões das centrais de atendimento e nos centros de serviços sofre forte padronização e rotinização.

Crawford é claro em sua valorização dos laços morais que ligam os trabalhadores ao seu trabalho e os empreendedores aos seus consumidores, laços que não deveriam ser tão prontamente sacrificados no altar da eficiência e do crescimento. O esfacelamento desses laços desencoraja a prudência e pode provocar efeitos nefastos. Não faltam recalls de produtos ou crises financeiras para ilustrar o argumento.

Thomaz Wood Jr.

Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração. thomaz.wood@fgv.br

Endereço do artigo – http://www.cartacapital.com.br/economia/nostalgia-do-trabalho