• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Originalidade contraditória

O que vamos fazer, a quem vamos seguir, quem seremos nós?
Pessoas como outras quaisquer, em um mundo que no fundo, valoriza a individualidade e a unicidade.
Mas, como podemos ser únicos, como ser individualista?
Dependemos um dos outros, vivemos em sociedade, numa comunidade.
Ou assim deveríamos viver.

Mas alguns de nós assim não vive.
Busca realmente, apenas aquilo que lhe convém, sem se preocupar com outro e, muitas vezes, nem com ele próprio.
Em um individualismo tão exacerbado que chega ao cúmulo da auto-negação.
E, por mais contraditório que isso possa vir a ser.
O que acabamos por perceber, por notar, por sentir, é isso.
O indivíduo negando a ele próprio, a sua natureza comunitária, para viver um sonho que nem é dele, mas de um meio do qual ele faz parte.
Adotando, aderindo, comprando um discurso montado. E, mais uma vez voltamos ao contraditório

Pois, aderindo a tal discurso, que está no meio que ele vive, em busca de uma individualidade, que o faz negar o fator comunitário de sua natureza, lhe faz buscar cumprir um discurso que muitos buscam cumprir, e mais uma vez temos uma ação comunitária, uma busca de todos por sua originalidade.

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Desabafo sobre o indivíduo

Viver em sociedade, viver em comunidade, em conjunto com outros indivíduos, não é nada fácil. Acho incrível quando precisamos do auxilio de uma pessoa que faz parte do nosso convívio, a qual sempre nos dispomos a ajudar, e ela simplesmente nos trata de uma forma que nunca imaginaríamos que seria possível de partir da parte dela. Impressionante como essas coisas acontecem. E, confesso, admito, não sei disfarçar tal decepção.

É uma falha da minha parte, sem dúvida alguma. Não consigo disfarçar quando fico chateado com algo que acontece. Não dá! Ser falso não é comigo e nunca foi. Uma coisa que sempre tive bem claro comigo é que todos nós precisamos, em primeiro lugar, de auxiliar uns aos outros para que tudo venha a ocorrer da melhor maneira possível para todos nós. O indivíduo, a partir do momento em que ele está inserido dentro de uma sociedade, ele tem de estar ciente de que não poderá ser, o tempo inteiro, individual, e que vez ou outra terá de se dispor a ajudar às pessoas que estão à volta dele. Mas, o ser humano é falho.

O homem é o ser vivo mais individualista que existe no mundo e fico impressionado como isso cada vez mais vem se afirmando em nossa sociedade. Vivemos uma realidade de que importa aquilo que trará benefício para mim, pouco importando se o outro sairá prejudicado com tais atitudes. Vemos isso nas mais simples coisas de nossa sociedade. Pessoas compram DVD’s piratas nas ruas, baixam músicas na internet (eu mesmo faço isso, admito minha falha), preferem ficar caladas quando observam que a conta da lanchonete veio somada errada. “Se estou levando vantagem, pra quê me importar com isso?”, é o que muitos pensam. Mas, não levam em conta a quantidade de locadoras que fecharam suas portas nos últimos anos, fazendo com que várias pessoas ficassem desempregadas e perdessem suas fontes de renda. Mas, não levam em conta a quantidade de músicos, técnicos e outros profissionais que ficaram desempregadas ou sem suas fontes de renda. Mas, não pensam que a soma errada vai sair do bolso de uma pessoa que pouco ganha de salário, e com aquele pouco talvez tenha que alimentar uma família, sustentar filhos em escolas e por aí vai. Mas, não… O que se pensa é apenas no próprio umbigo, como se o outro fosse um mero detalhe dentro de todo o contexto social no qual estamos inseridos.

“Não vai me trazer benefício? Então não estou nem ligando!”. É um absurdo, incentivado por uma sociedade que deturpou as ideologias do século XIX. Muitos tentam colocar a culpa no “liberalismo”, ou pensam até um pouco mais distante, e colocam a culpa no “individualismo” do século XIV. É apenas uma demonstração do quão rasa é a compreensão dos mesmos sobre a sociedade, sobre a própria história que percorre a sua vida e sua existência. Sim! Você não nasceu no século XIX, muito menos no XIV, mas todo o contexto que fazemos parte hoje em dia é fruto do Renascimento Cultural, é fruto das ideologias do século XIX. Somos uma sociedade moderna ao extremo, na qual o que é valorizado é o tempo, a produção, o fazer mais em menos tempo. Vivemos uma vida recorta e cheia de informações, na qual se não fazemos várias coisas ao mesmo tempo simplesmente não somos preparados para vivermos no século XXI. E, aí, o que temos? Senso-comum, falta de profundidade no entendimento da realidade, alienação e individualismo.

Esse é o retrato de nossa sociedade. Esse é a sociedade na qual estamos inseridos, da qual fazemos parte.

Enfermeiras veem joias e cosméticos enquanto pacientes aguardam na fila

Escutas da PF revelam esquema de policiais corruptos no Alemão

Um instante de revolta…

Uma seriedade há muito perdida, que me pergunto se em algum momento de nossa vivência será recuperada, pois vejo que a mesma é necessária, mas a geração atual, infelizmente, não enxerga dessa forma.

Tenho receio do que ando vendo em meio aos jovens da atualidade. A banalização tem chegado a níveis perigosíssimos. Vivemos uma “coisificação” em uma sentido completamente literal. Pode ser fruto de uma sociedade que já vive há mais de 200 anos num mundo pós-moderno, pós-industrial e baseado fortemente em um capitalismo de viés liberal, na qual vemos a valorização cada vez maior do indivíduo e uma não preocupação com a coletividade, mesmo que muitos tentem convencer os outros, e a si mesmos, de que vivemos em um coletivo e somos solidários e pensamos no próximo. Me desculpem aqueles que me lêem, mas não vivemos isso não. A solidariedade, a justiça, virtudes platônico-aristotélicas há muito foram abandonadas. As instituições que fazem parte de nossa sociedade bradam por aí, tentando convencer os indivíduos seres sociais a terem uma preocupação com o próximo, a praticarem a caridade, e a sociedade entendeu isso de uma forma equivocadíssima. São caridosos, mas da boca para fora. Uma caridade que é só para fazer as vezes de santos, de bonzinhos. Mas, quando você vai observar a fundo a pessoa, nota que ela é mesquinha, que se em nada se preocupa verdadeiramente com o próximo. Que utiliza o outro como escada, como se tudo estivesse bem, como se nada de errado estivesse acontecendo.

Sinceramente, sociedade mesquinha, falha e ridícula, faça-me o favor. Que essa geração pós-moderna e pós-industrial passe logo e venha outra, para que possamos tentar mudar realmente o que está ocorrendo em nosso meio, em nosso cotidiano, e possamos construir uma sociedade realmente preocupada com o coletivo, que pensa no indivíduo não como um único ser, mas como alguém inserido em um ambiente de coletividade. Para que possamos construir uma sociedade que a preocupação primeira seja, antes do outro, antes do eu, o todo. E, dessa forma, caminhemos para uma realidade, para um futuro, que se distancie daquilo que muitos filmes apocalípticos pintam em suas histórias, e consigamos atingir a humildade de entendermos que nada somos nesse mundo em que vivemos, e justamente porque nada somos, devemos viver de forma coletiva, apoiando-se uns nos outros, e não empurrando uns aos outros.