Devaneios pálidos…

Entre devaneios azuis, pálidos, permanece a caminhar, como alguém que nunca parou de andar. Está cansado, trôpego, mas continua, em uma constância assustadora, na qual não se demonstra, a não ser aos olhares mais atentos, o quão cansado está. Aqueles que o conhecem sabem, que a lida não está fácil. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, em meio a um ritmo insano. Chega a ser difícil de entender, e até ele se pergunta se realmente é tão grande assim, ou se, em uma espécie de ataque esquizofrênico, ele não esteja aumentando tudo, ampliando como uma lupa as coisas que ocorrem a sua volta.

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Pensando em meio a tantos…

Tem alguns dias que você acorda, simplesmente acorda, pensando em várias coisas ao mesmo tempo, como se nada fizesse sentido, e ao mesmo tempo tudo fizesse. A confusão domina a mente em uma profusão de assuntos e de coisas a se fazer que simplesmente nos perdemos em meio ao relógio de nossas necessidades entrando em conflito com o relógio de nosso dia. E o dia se torna curto, enquanto nossas necessidades se permanecem longas, e pelo dia ser curto elas vão se acumulando e aumentando, o que leva muitas pessoas a entrarem em desespero, entregarem-se ao stress, deixarem levar pelo nervosismo, e entrarem em parafuso. Essa necessidade louca de se fazer muito em pouco é algo que vem de tempos, lá do século XIX, no mundo pós-industrial, pós-moderno, que empurra o homem a querer mais, incentivado pelo capitalismo, que nesse sentido torna-se vilão da sociedade e ficamos desorientados pensando e pensando no que podemos fazer em tão pouco tempo dentro das nossas necessidades e vontades. E aí o problema começa a se tornar ainda maior, porque entra nessa equação louca de nossa vivência as vontades, que são inerentes ao ser humano, que vem desde sempre e norteia a nossa vida, inevitavelmente. Então prioridades devem ser feitas, pensar-se no que é importante, no que é inadivável, no que trará maior satisfação para cada um de nós. E, nesse princípio de ano, é o momento certo de fazermos isso, de colocarmos prioridades em nossa vida, em nosso cotidiano.

Priorize, para poder viver.

Aaaaaaaaaa… o silêncio!

Esse 10/12 pode ser um dia como outro qualquer, e realmente o é! Começou como todos os outros, ao virar do relógio, de 23:59 para 0:00 ( ou seria de 0:00 para 0:01 – confesso que as vezes tenho essa dúvida banal.). Como sempre, ao iniciar, eu já estava dormindo há algumas horas, então nem o vi começar. Acordei, meio cambaleante ainda, por volta das 05:50 e fui ao banheiro. Um banho rápido, para despertar, de vez, e depois tomar um café com minha mãe, para começar bem o dia (e dane-se se ele já tinha começado seis horas antes! Rs). Depois do café, terminei de me vestir, peguei minha pasta e fui para o carro. Virei a chave e entrei no trânsito matinal, rumo à escola onde dou aula. Fui ouvindo música no rádio, cantarolando num “enroleichion”, feliz que nem criança pequena. Pouco tempo depois, estava eu na escola, e o silêncio imperava, um silêncio maravilhoso que curti até cansar. E só nessas horas que vemos como o silêncio pode ser perfeito!

O esperado surpreende…

Sabe quando aquela coisa que você esperava há algum tempo acontecer finalmente acontece e mesmo assim você fica surpreso com ela? Tem coisas que realmente não consigo entender. Já esperava que fosse acontecer o que aconteceu, e até esperava que fosse acontecer da forma como aconteceu. E, aconteceu. E, mesmo assim, me surpreendeu.

Virtudes e seus contrários

Ficamos pensando e olhando. Pessoas que passam a nossa volta e as quais, muitas vezes, poderiam nos ser úteis, serem indivíduoas importantes em nosso viver, mas que, por motivos inúmeros, acabamos por não termos contato, e não conhecemos suas virtudes.

Porém, basta um pequeno olhar, uma forma de expressar-se, seja por meio da palavra, ou por outro qualquer, e essa mesma pessoa a qual não conhecemos se torna, por um curto instante, ítima de nós. E, por esse curto instante, achamo-nos no direito de julgá-la, de apontar suas falhas, suas características mais absurdas.

E viu…

‑ O que vc está fazendo?

‑ O quê?!

‑ Você só pode estar louco!!! Não acredito que estou vendo isso… Não mesmo!!

‑ Ahhhh!!! Isso? Vai me dizer que você vai ficar aí esperando e não vai fazer nada?

‑ Mas isso é demais, cara!

‑ Demais?!?! Bicho… Sério… Você viu o que aconteceu?

‑Sim… Não tinha como não ver!

‑ Então… Viu a cor que ficou o céu? Viu aquele clarão lá no horizonte? Viu a escuridão que se deu de repente? Viu…

‑ Sim caramba! Já falei que vi…

‑ E você pensa que isso tudo é o que, meu caro?

‑ Sei lá… Só sei que você está passando do limite…

‑ Limite?!?! Limite?!?! Você só pode estar de brincadeira…

‑ Brincadeira?!?! Olha pra você mesmo… Olhe só pra você…

‑ O quê? Meu cabelo chamuscado? Meus dedos faltando? Meu rosto esfolado? As queimaduras nas minhas costas? Olhe para você mesmo antes de falar de mim…

E ele parou para se olhar, e viu que ao invés do outro, ele era cego.