• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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O rabo do peixe

E tudo que somos e que fomos acaba chegando a um resultado impensável daquilo que nem sabemos que podemos ter e ser. Mas, apenas sendo e tendo, somos pessoas, indivíduos, que chegam a conclusões, pensamentos, ideias, decisões. A vida é dessa forma, então, cheia de sentidos e ironicamente muitas vezes sem motivos por serem apenas o que são, sentidos sem sensações, sensações sem propósitos. De uma mente sã e ao mesmo tempo insana, de alguém que nada mais é do que um ser humano, sapiens daquilo que se coloca, mas muitas vezes sem saber apenas o é, sem perceber que aquilo que acredita é fruto de um senso comum, de uma tradição que lhe foi imposta, apenas porque não cabia na assadeira.

Limitações

E temos nisso
Apenas um todo
Que é muito pouco
Ou quase tudo
Inebriado em meio a todos
Que observam ao longe
O que se tem

Tendo pouco
Quase nada
Parcas posses
Sujas, imundas
Como animais
Limitados em nada
Presos a correntes
Feito amarras

Engolidos

Enquanto alguns simplesmente desaparecem, em meio a tanto que se coloca em nosso dia-a-dia, cotidiano corrido de velocidades inconstantes, outros se sobressaem e surgem como estrelas em meio a um turbilhão de emoções que se forma no espaço veloz que tanto é característico de nossas cidades. Uma pena, contudo, que essas estrelas sejam tão passageiras, venham cadentes e logo se deixam levar pelo ritmo inebriante e inquebrável que se estabelece em nossas cidades desde quando elas começaram a se formar, ainda mais depois do advento do relógio, que tudo conta e mede.

Invenção interessante essa, o relógio. Coloca em nossos pulsos, nossos bolsos e telefones a sensação de que temos o controle do tempo, quando mesmo é muito superior a nós mesmos. Não temos controle sobre ele, muito pelo contrário. Desde a Revolução Industrial e a exacerbação do tempo simplesmente não temos mais controle algum sobre o tempo e aquilo que necessitamos dele. Simplesmente vivemos de acordo com os ponteiros de um relógio (ou os dígitos) e vamos achando, acreditando que temos a liberdade e o direito de escolher e fazer o que bem entendemos. É ainda, quando acreditamos ter essa liberdade, esse controle sobre nós mesmos, que as estrelas se mostram, brilham em meio a uma grande parcela de pessoas que simplesmente aceitam e se deixam levar. Mas, não demora, para sermos consumidos pela rotina da urbanidade pós-industrialização, em uma pós-modernidade que nos engoliu de modo tal que não temos mais como controlar nada que está a nossa volta. Simplesmente somos e continuamos sendo, apagando-nos de modo a ficarmos invisíveis ao lado de outros.

Buscando caminhos

Que foco devemos tomar?
Quais assuntos a abordar?
Há uma imensidão de possibilidades,
De modo que nos perdermos,
Desorientados em meio a tudo que se mostra
Que se estabelece para nós.

Devemos buscar uma direção,
Um caminho único para trilharmos,
Caminho que só nós podemos escolher,
No livre-arbítrio que nos é permitido,
Desde a existência primordial,
Que Ele nos proporcionou.

Reféns

O conflito está presente, a todo instante que somos o que somos e vivemos o que vivemos. A sociedade nos transforma em reféns. Somos reféns, como bem disse uma amiga minha hoje. Mas, não apenas na situação por ela levantada. Somos reféns de forma ainda mais profunda, ainda mais densa, em questões as quais muitas vezes sequer percebemos.

Vivemos uma pseudo-liberdade, na qual somos levados a acreditarmos que somos livres para podermos escolher aquilo que bem entendemos, para ser aquilo que tanto sonhamos, para termos aquilo que também ansiamos, quando, na verdade, as limitações que existem para que alcancemos o que desejamos são tão grandes, tão presentes que nem nos damos conta de que somos limitados o tempo todo e mesmo assim acreditamos em nossa liberdade.

É igual acreditar em livre-arbítrio. Ele não existe, nem nunca existiu dentro do meio social. O próprio mito da criação do cristianismo já demonstra que o mesmo é apenas uma ilusão. Nos é dado o mesmo, mas em contra partida, nos é dito aquilo que não devemos fazer em hipótese alguma. Então, que livre-arbítrio é esse, que é limitado pela entidade divina? É tudo uma alegoria criada para retratar um período de grandes limitações que uma sociedade vivia e a crença que a mesma tinha de que essas limitações tinham sempre um motivo e um motivador.

A sensação de cativeiro nos é constante e não podemos deixar de perceber isso. Você realmente é livre para fazer aquilo que bem entende? Você realmente tem a possibilidade de ter tudo que deseja? Liberdade de questionamentos? De pensamento? De ação? Ou é um refém do meio econômico, das normas sociais, das leis coercitivas, dos aparelhos repressores do Estado?

Deter

Detemo-nos em detalhes,
Infinitos, bobos e insanos
De uma necessidade que não é nossa
Que nos é imposta.

Impossibilidades constantes na inconstância que nos acomete

Intolerâncias pensadas,
Ações inconstantes,
Atitudes que não apresentam lógica,
Numa sociedade cada vez mais densa.

Por que estamos em um meio,
Num ato que em tanto difere,
Mas que em muito se estabelece,
Como único possível,
Dentre tantos impossíveis?