SER, BUSCAR, QUESTIONAR, QUERER

O que somos e o que buscamos ser é aquilo que desejamos desde sempre? Aquilo que conseguimos alcançar é o que realmente desejávamos? Até onde atingimos de verdade e conquistamos realmente aquilo que era de nossa vontade? Somos o que queremos ser ou somos aquilo que desejam que sejamos?

Você, assim como eu, já se questionou isso e muitas outras coisas, não tenho dúvidas disso. É uma incerteza constante, que sempre vem a mente de muitos de nós. São reflexões pertinentes e bem vindas para todos nós. Afinal, o que somos nós, seres humanos, que seres que questionam? Somos tão arrogantes e prepotentes que nos demos como nome científico “homem que pensa”, como se os que existiram antes de nós, homo sapiens, não tinham a capacidade de pensar, raciocinar, etc.

E, é impressionante como somos arrogantes, prepotentes. Muitas vezes não nos damos conta do quanto somos. No modo de pensar, nos pré-julgamentos, nos preconceitos (e pré-conceitos) que carregamos conosco, no tom de voz, na forma de olhar. Se há algo que o ser humano não é, por natureza, é humilde. A arrogância, a prepotência de cada um de nós é inerente a nós mesmos. Contudo, é algo que necessitamos lutar contra, controlar. E como é difícil isso, afinal, queremos ser, queremos ter, queremos superar, queremos, queremos, queremos.

Agora, o que devemos querer? O que realmente necessitamos? O que podemos desejar? O que devemos ser?

Essas perguntas todas feitas aqui eu não tenho as respostas prontas, não para você que está lendo, e nem para mim totalmente. São perguntas que faço diariamente a mim mesmo, repetidamente, constantemente. São perguntas que muitas vezes me sacodem, me dão um choque, travam meu pensamento, me levam ao choro, ao desconforto, me tiram do meu próprio prumo. Pois isso muitas vezes é necessário.

Sair da zona de conforto nos coloca a pensar sobre nós mesmos, sobre aquilo que fizemos em nossa vida, que buscamos, que alcançamos. E, muitas vezes, ao pensar sobre isso tudo, aos fazermos todas essas perguntas (e outras mais que forem de sua particularidade fazer) conseguimos enxergar alguma luz sobre nós mesmos, ter alguma ideia sobre aquilo que queremos e devemos querer. Daquilo que somos ou devemos ser.

Agora, acima de tudo, lembre-se que as perguntas são suas, as respostas são suas, a vida é sua, apenas sua e de mais ninguém.

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Que realidade é essa?

Que caminhos estamos percorrendo dentro dessa sociedade insana, que muitas vezes se passa de uma forma que nem conseguimos imaginar, simplesmente passando como se tudo fosse repentino, instantâneo, em uma efemeridade que beira a inexistência?

Valores há muito foram corrompidos, nos mais diferentes setores de nossa sociedade. A intolerância chegou em tal nível que vemos pessoas achando a coisa mais comum do mundo, e até justificando a mesma.

Dentro do pensamento do politicamente correto, não podemos mais emitir opinião de nada. Dar a sua opinião virou motivo para ser taxado de ditador, discordar dos outros então… Virou uma afronta mortal para alguns.

O que vale é a individualidade, cada vez mais. O que o outro pensa, a forma de agir dos outros, isso pouco importa. E, então, vamos nesse ritmo, e ficando abismados ao vermos pessoas incendiando mendigos. Nos assustamos com a crescente nos índices de violência. Ficamos boquiabertos com a falta de sensibilidade alheia.

A sociedade em colapso de valores tão simples, inerentes aos seres humanos de nossa civilização ocidental.

Confesso que fiquei pouco assustado enquanto estava assistindo ao “Bom dia Brasil” hoje pela manhã e vi a chamada mostrando policiais militares do município de Amazonas atirando a queima-roupa em um jovem. Vocês leram certo: eu fiquei pouco assustado.

Se pararmos para observar apenas o recente das ações realizadas pelos órgãos responsáveis de garantir a segurança dos cidadãos em nossa sociedade, veremos que atitudes de abuso de poder são constantes. É um coronel da polícia militar querendo ajudar um colega a escapar de uma blitz, e para tal ofendendo a corporação. São grupos de policiais na invasão aos morros do Rio de Janeiro, ocorridas em finais de 2010, arrombando casas, destruindo pertences de civis que nada tinham a ver com aquilo tudo e até roubando dinheiro que estava guardado. E a sociedade fecha os olhos para isso, pois pensa que eles tudo podem, ou então os cidadãos ficam com medo. Medo daqueles que estão ali para defender eles mesmos de bandidos.

O filme “Tropa de Elite” e sua continuação colocam o dedo numa ferida (mesmo que o segundo seja menos enfático nessa discussão) que muitas pessoas vem fechando os olhos: aqueles que são responsáveis por garantir a segurança da sociedade de uma forma geral sofrem fortemente o impacto psicológico de sua função, se tornando pessoas amargas, frias, violentas e vivenciando uma situação de urgência constante. O olhar do Capitão Nascimento no segundo filme retrata isso fielmente. Wagner Moura imprime olhos de constante pânico, mesmo que seja um olhar de uma frieza incrível, mas o que vemos também é o pânico. Já tive oportunidade de estar junto com um policial na mesa do almoço algumas vezes e escutar da boca dele as coisas que acontecem dentro da corporação (não de forma completa, porque muita coisa é velada). O treinamento pelo qual os policiais são passados, principalmente aqueles que compõe os batalhões de elite. Eles são treinados como animais mesmo. O que é mostrado por José Padilha no Tropa 1 não é exagero em momento algum. São treinados de forma pior do que são treinados cães farejadores. E aí o questionamento que me vem é: Essa animalização do homem para que ele venha a proteger a sociedade não é um equívoco? Muitos podem pensar que, realmente, para viver em situação de perigo constante, colocando-se em risco de morte por um salário muitas vezes pífio, o indivíduo tem que se preparar para lidar com situações das mais escabrosas. E concordo com isso… Agora, será que é necessário esse distanciamento do indivíduo da sua própria civilidade para garantir a estrutura da sociedade na qual estamos inseridos?

Ficam alguns questionamentos, e abaixo, alguns links de reportagens sobre os abusos de poder de policiais:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/03/noticias/especiais/806470-adolescente-perde-rim-apos-ser-supostamente-espancado-por-policial.html

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/893754-relatorio-atribui-a-pms-150-assassinatos.shtml

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/03/presos-seis-pms-que-balearam-adolescente-no-amazonas.html