• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Que realidade é essa?

Que caminhos estamos percorrendo dentro dessa sociedade insana, que muitas vezes se passa de uma forma que nem conseguimos imaginar, simplesmente passando como se tudo fosse repentino, instantâneo, em uma efemeridade que beira a inexistência?

Valores há muito foram corrompidos, nos mais diferentes setores de nossa sociedade. A intolerância chegou em tal nível que vemos pessoas achando a coisa mais comum do mundo, e até justificando a mesma.

Dentro do pensamento do politicamente correto, não podemos mais emitir opinião de nada. Dar a sua opinião virou motivo para ser taxado de ditador, discordar dos outros então… Virou uma afronta mortal para alguns.

O que vale é a individualidade, cada vez mais. O que o outro pensa, a forma de agir dos outros, isso pouco importa. E, então, vamos nesse ritmo, e ficando abismados ao vermos pessoas incendiando mendigos. Nos assustamos com a crescente nos índices de violência. Ficamos boquiabertos com a falta de sensibilidade alheia.

A sociedade em colapso de valores tão simples, inerentes aos seres humanos de nossa civilização ocidental.

Confesso que fiquei pouco assustado enquanto estava assistindo ao “Bom dia Brasil” hoje pela manhã e vi a chamada mostrando policiais militares do município de Amazonas atirando a queima-roupa em um jovem. Vocês leram certo: eu fiquei pouco assustado.

Se pararmos para observar apenas o recente das ações realizadas pelos órgãos responsáveis de garantir a segurança dos cidadãos em nossa sociedade, veremos que atitudes de abuso de poder são constantes. É um coronel da polícia militar querendo ajudar um colega a escapar de uma blitz, e para tal ofendendo a corporação. São grupos de policiais na invasão aos morros do Rio de Janeiro, ocorridas em finais de 2010, arrombando casas, destruindo pertences de civis que nada tinham a ver com aquilo tudo e até roubando dinheiro que estava guardado. E a sociedade fecha os olhos para isso, pois pensa que eles tudo podem, ou então os cidadãos ficam com medo. Medo daqueles que estão ali para defender eles mesmos de bandidos.

O filme “Tropa de Elite” e sua continuação colocam o dedo numa ferida (mesmo que o segundo seja menos enfático nessa discussão) que muitas pessoas vem fechando os olhos: aqueles que são responsáveis por garantir a segurança da sociedade de uma forma geral sofrem fortemente o impacto psicológico de sua função, se tornando pessoas amargas, frias, violentas e vivenciando uma situação de urgência constante. O olhar do Capitão Nascimento no segundo filme retrata isso fielmente. Wagner Moura imprime olhos de constante pânico, mesmo que seja um olhar de uma frieza incrível, mas o que vemos também é o pânico. Já tive oportunidade de estar junto com um policial na mesa do almoço algumas vezes e escutar da boca dele as coisas que acontecem dentro da corporação (não de forma completa, porque muita coisa é velada). O treinamento pelo qual os policiais são passados, principalmente aqueles que compõe os batalhões de elite. Eles são treinados como animais mesmo. O que é mostrado por José Padilha no Tropa 1 não é exagero em momento algum. São treinados de forma pior do que são treinados cães farejadores. E aí o questionamento que me vem é: Essa animalização do homem para que ele venha a proteger a sociedade não é um equívoco? Muitos podem pensar que, realmente, para viver em situação de perigo constante, colocando-se em risco de morte por um salário muitas vezes pífio, o indivíduo tem que se preparar para lidar com situações das mais escabrosas. E concordo com isso… Agora, será que é necessário esse distanciamento do indivíduo da sua própria civilidade para garantir a estrutura da sociedade na qual estamos inseridos?

Ficam alguns questionamentos, e abaixo, alguns links de reportagens sobre os abusos de poder de policiais:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/03/noticias/especiais/806470-adolescente-perde-rim-apos-ser-supostamente-espancado-por-policial.html

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/893754-relatorio-atribui-a-pms-150-assassinatos.shtml

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/03/presos-seis-pms-que-balearam-adolescente-no-amazonas.html