• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Diálogos em tempo de MMA

Sempre fui um grande defensor do diálogo, pois é por meio dele que as pessoas realmente se entendem, que as pessoas conseguem chegar a algum tipo de acordo a respeito dos mais variados assuntos. Muitas questões que são as vezes resolvidas de forma bruta, na base da violência, seriam solucionadas de maneira bem menos traumática se o diálogo fosse algo defendido desde a formação base do indivíduo, ali na sua infância. Mas, infelizmente, não é isso que ocorre.

Ainda vivemos em uma realidade na qual é valorizada cada vez mais a força bruta ao invés da conversa. O esporte que está em maior destaque hoje em dia é um grande demonstrador disso: o MMA. O que vemos nos ringues (ou como os praticantes fazem questão de ressaltar, de forma arrogante, no octógono) dessa modalidade esportiva é tudo, menos esporte em sua essência. Duas pessoas se engalfinhando, na base de socos, pontapés e por aí vai. Mas, a pior parte de tudo não é isso, o pior é observarmos como é incentivado nesse “esporte” uma máxima que advém das lutas de gladiadores romanos: a luta só termina quando um dos lutadores é finalizado. Na luta da Antiguidade Clássica, o “finalizado” significava, em sua imensa maioria das vezes, a morte. Não é o que temos no MMA, afinal, matar alguém em combate, hoje em dia, não é nada louvável (mas, aposto que se fosse… – melhor me entregar às reticências). O “finalizado”, no MMA é aquele momento em que um dos lutadores continua a bater no adversário, isso já com o mesmo sem condições de continuar lutando, começando a ficar desacordado ou até já desmaiado. O juiz intervém apenas depois de desferidos 3 a 4 golpes no adversário que já está implorando por misericórdia. É uma barbárie, tão grande quanto aquela que era praticada há centenas de anos no berço da civilização ocidental. E, hoje, assim como na antiguidade, as lutas entre os gladiadores (é assim que um grande narrador esportivo chamou os lutadores de MMA da atualidade) ocorre em grandes teatros, para multidões verem, e além disso tudo ainda é transmitido para outras milhões de pessoas verem em suas residências. Tudo com muito detalhe, muito sangue exposto, sem se preocupar com o impacto que isso pode vir a gerar sobre a sociedade contemporânea.

E então vemos uma “coincidência” estranha. A medida que o MMA vai ganhando destaque no mundo esportivo, vemos um aumento no número de casos de espancamento, de intolerância e por aí vai.

Não tenho nada contra a pratica esportiva do “vale tudo” (nome antigo pelo qual o MMA era chamado, mas que ficou carregado de um significado pejorativo e foi então abandonado). Que seja praticada e nem precisam vir com os discursos prontos de que ele afasta os adolescentes das drogas e por aí vai (que esse discurso montado já encheu há muito tempo). O que quero apenas é atentar para essa coincidência. Pode ser um grande exagero da minha parte. Mas, como educador, o que vejo é um crescente da intolerância a medida que alguns jovens se tornam fãs e praticantes do MMA. Isso aconteceu quando tivemos a febre do karatê, do judô, do jiu-jitsu e por aí vai? Pode até ser… Mas, isso não impede de fazermos esse alerta e, principalmente, incentivar cada vez mais o diálogo e o fim da intolerância.

Temos de saber ouvir o outro, respeitar a visão dele, por mais que não concordemos com ela. Todos tem o direito de ter a opinião que quiserem, e eu e você temos o direito de discordamos da visão dessa pessoa. Mas, ninguém, ninguém tem o direito de resolver as coisas de maneira intolerante, na base da porrada, da briga, da discussão sem respeito ao outro. Temos de dialogar, sempre. Aprendendo a escutar e argumentar.

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Julgar?

O susto irremediável de coisas que ainda estão por vir entra em minha mente e a toma de assalto. Penso nas mais diversas coisas e muitas vezes me perco no pensar incessante e louco e, por muitas vezes, sem nexo em tudo aquilo que ainda penso e tenho que agir. Mas, a ação irrefreável é inevitável e agimos assim, meio que por impulso, buscando fazer aquilo que consideramos correto, por mais incorreto que possa vir a parecer aos olhos do outro. Mas, e o que esse outro tem a ver com isso tudo que vem em nossa mente e em nossos atos se não simplesmente julgar? E, quando julga, por que o faz?

Julgar é uma mania que todos trazem incutida em seu viver, em seu modo de agir e de pensar. Julgamos a todo instante, pensando em tudo. Até quando achamos que estamos no máximo de nossa alteridade e do relativismo, mesmo assim julgamos, porque não há como fugir disso. O sonho do antropólogo, do cientista social, era justamente poder analisar sem julgar de maneira alguma, sendo complemente livre de quaisquer preconceitos na hora de sua análise. Mas, pego a pensar em qual contribuição isso realmente teria, e se seria realmente sensato tal posicionamento para a análise e o entendimento do todo que está sendo observado e por aí vai.

É possível tal desprendimento? E se o for, o mesmo realmente é benéfico? Sempre me perguntei isso e acho que devemos nos questionar. Temos que entender e respeitar sempre e deixarmos de ter nossa própria opinião? E ter nossa própria opinião, de certa forma não é um preconceito, daqueles velados e permitidos? E o que vem a ser preconceito? O que vem a ser julgamento?