• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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O rabo do peixe

E tudo que somos e que fomos acaba chegando a um resultado impensável daquilo que nem sabemos que podemos ter e ser. Mas, apenas sendo e tendo, somos pessoas, indivíduos, que chegam a conclusões, pensamentos, ideias, decisões. A vida é dessa forma, então, cheia de sentidos e ironicamente muitas vezes sem motivos por serem apenas o que são, sentidos sem sensações, sensações sem propósitos. De uma mente sã e ao mesmo tempo insana, de alguém que nada mais é do que um ser humano, sapiens daquilo que se coloca, mas muitas vezes sem saber apenas o é, sem perceber que aquilo que acredita é fruto de um senso comum, de uma tradição que lhe foi imposta, apenas porque não cabia na assadeira.

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Perdidos em sentidos

Vemos e vimos,
Com olhos cerrados,
Ou,
Quem sabe abertos,
Mas apenas olhos.

Olhares que fitam,
Um destino incerto,
Perdido em meio a tudo
e todos,
Que buscam e se perdem,
Nem encontram,
Nem preocupam.

Vivem,
Respiram,
Bocejam,
Farejam.

Sentir…

Sentado na cadeira, escutando ruídos que parecem próximos, as vezes distantes. Ruídos, diversos, tantos que tem até dificuldade de identificar quais são, o que são. Passos, gotas, metais, plástico, e tudo o mais que havia e que não discernia. Apenas escutava.

Levantava-se. Teto era baixo demais, era o que lhe dizia o topo da cabeça. Uma textura estranha também existia ali, mas não sabia ao certo, mais, se tal textura era do próprio teto, ou se ele havia ocasionado aquilo. Mas, estava ali.

As paredes eram próximas também, suas mãos, já raladas de tanto encontrar com elas demonstravam que o local no qual ele se encontrava não era muito maior do que o espaço de seus braços pouco abertos.

E, então, voltava-se a sentar. Tudo que ele sabia a respeito do ambiente no qual ele estava era isso. Os sons, o tamanho, a textura. Não tinha cheiro, isso ele tinha certeza, assim como também não apresentava gosto, também tinha certeza.

Tentou então entender o que era tal lugar, onde ele estava e como havia chegado ali, se é que ele havia saído de algum lugar e ido para outro, também era algo que lhe vinha a mente nesse instante.

Seria possível estar no mesmo lugar de antes, tendo apenas ele sido alterado, não havia dúvidas quanto a isso. E a hipótese não lhe parecia remota, muito pelo contrário, lhe parecia, inclusive bem plausível, dado que não se lembrava de ter saído.

Havia sido apagado? Um anestésico fortíssimo que o pusera para dormir, desmaiado, e então levado para outro lugar? Passou lentamente as mãos pelo seu próprio corpo, não encontrando qualquer marca, mesmo que mínima de furo.

Poderia ter sido por líquido? Comida? Não… Não havia comido, ainda era cedo, pelo menos pelo que ele se lembrava, poucas horas tinham passado desde quando ele acordou. Mas, poderia confiar em seu senso de tempo?

Tempo… Levou a mão ao pulso, buscava seu relógio, precisava sentir os ponteiros, saber as horas, quanto tempo havia passado. Ele não estava ali.

Aquele que escreve, aquele que lê…

Interessante percebermos como algumas coisas simplesmente não fazem sentido algum quando estão deslocadas do tempo e do espaço no qual elas deveriam estar. Pode parecer uma discussão despropositada, sem nexo com o concreto e por aí vai, mas não estou aqui para julgar a minha própria discussão (o leitor é que deve fazer isso!). Mas, a bem da verdade, me pergunto se ultimamente os leitores tem feito isso quando se dispõem a ler um simples texto. Me pergunto a respeito da intenção do leitor ao prostrar-se à leitura. Será apenas uma pura e simples busca de informação? Será a busca de uma contribuição para que o pensamento venha a se multiplicar? O que passa pela mente do meu leitor? Essa pergunta que tem passado pela minha.

Creio eu que toda pessoa que escreve, todo aquele que se dispõe a escrever seus textos e disponibilizá-los para serem lidos, nos mais diversos meios que estiverem a disposição dos mesmos (jornais, revistas, livros, blogs, twitter, fórum, etc.) tem essa curiosidade. Deve ser algo inato. A curiosidade, a vontade de entender e buscar saber o que se passa a mente das pessoas que estão lendo os seus textos e de que forma o texto gera um impacto (se algum é gerado) sobre o pensamento e na construção do pensamento do leitor.

Mas, esse buscar o que se passa na mente das pessoas que estão lendo os textos realmente é algo interessante, ou tira a liberdade daquele que escreve? Será que o que se dispõe a escrever deve ficar se preocupando com a forma como o texto dele será recebido ou deve apenas escrever? Sentar-se apenas em frente ao computador, ou então dispor-se a escrever numa folha em branco e deixar as palavras fluírem, surgirem por si mesmas, pouco se importando, não estando “nem aí” para o que o leitor virá a pensar, entender, buscar ou qualquer coisa que o valha.

Então, os devaneios estão aí, por si sós! Abandonados no texto, para que o leitor faça o que bem entenda com eles, ou não faça nada. Se terá importância ou não, ainda me questiono se devo me preocupar ou não com isso, e enquanto me questiono, sigo escrevendo por simplesmente escrever, ou não, dependendo apenas do assunto e do meu estado de espírito, como qualquer outra pessoa que escreve.