• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Velocidades do tempo

A vida parece ser muito mais lenta quando estamos descansando há algum tempo distantes de toda a correria que é o grande centro urbano.

Há uma semana eu tive o prazer de, mais uma vez, pegar o carro e fugir do centro urbano caótico que tem se tornado a Grande Vitória a cada dia que passa. Peguei o caminho do litoral norte e fui em direção à Vila Pavão. Próxima a Barra de São Francisco, depois de Colatina, é simplesmente um lugar paradisíaco, no que diz respeito a paz e tranquilidade. Um trânsito quase inexistente, o cheiro de terra molhada por causa da chuva, o som de pássaros e galos a cantar logo cedo e um céu com uma quantidade de estrelas que é impossível de se ver em qualquer “cidade grande”. Como é bom estar no interior.

Até meus 16 anos eu morei a vida inteira no interior do estado do Espírito Santo, e pude comprovar como a vida é muito melhor em locais mais simples, com menor quantidade de habitantes e sem o relógio a ditar todos os seus passos, suas decisões. Pois, venhamos e convenhamos, que invenção mais maldita o tal do relógio. Os relógios sempre existiram, desde o século XVI a.C., no Egito Antigo. Mas, foi por culpa de Santos Dumont e Louis Cartier que os relógios se tornaram extremamente populares e começaram a adornar nossos pulsos, mas bem antes disso o tempo já dominava nossas vidas plenamente, principalmente a partir do século XIX e toda a loucura industrialista e por aí vai…

Mas, em Vila Pavão, a minha última preocupação foi com o tempo. Para ser mais sincero ainda, eu nem tirei o meu celular de dentro do carro (a não ser no sábado a noite, véspera de voltar para casa, que aí cedi a tentação de verificar emails, facebook, twitter e outras pragas tecnológicas que depois que começamos a usar não conseguimos viver sem). Mas, até o sábado a noite, nada de olhar para horas. Quando alguém me perguntava as horas por lá, simplesmente respondia que não fazia ideia alguma, e que não era para se preocupar com o tempo. Lá, na roça, o que importava de verdade era ficar de conversa, comer um delicioso churrasco, um “cafezin” doce, pão com manteiga e por aí vai…

Inevitável, voltar à realidade se faz necessário, pois não tem como viver de forma bucólica para sempre. E no domingo voltamos para a realidade, o grande centro urbano, com seus carros, seus semáforos, o trânsito enfurecido e tudo aquilo que só uma metrópole pode nos trazer. Mas, Vila Pavão permanece lá, e eu me preparo para assim que for possível voltar e viver em ritmo desacelarado, mesmo que seja por poucos dias, mas são dias que aproveito ao máximo e me desprendo do tempo que tanto rege minha vida.

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Nos preparemos…

Tempos sombrios já se iniciaram, pouco perceberam isso. Mas, nos foi devidamente avisado, há muitos e muitos anos. Poucos são aqueles que estarão preparados para lidarem com isso tudo que ocorrerá nesses últimos tempos. E será assustador. Serão investidas das mais diversas. Mas, nos preparemos:

“Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá, e não tardará” (Hebreus, 10:37)

Pensando em muita coisas,
Vendo mudanças ocorrerem,
O tempo se aproximando,
E tudo se alterando.

Pensando em meio a tantos…

Tem alguns dias que você acorda, simplesmente acorda, pensando em várias coisas ao mesmo tempo, como se nada fizesse sentido, e ao mesmo tempo tudo fizesse. A confusão domina a mente em uma profusão de assuntos e de coisas a se fazer que simplesmente nos perdemos em meio ao relógio de nossas necessidades entrando em conflito com o relógio de nosso dia. E o dia se torna curto, enquanto nossas necessidades se permanecem longas, e pelo dia ser curto elas vão se acumulando e aumentando, o que leva muitas pessoas a entrarem em desespero, entregarem-se ao stress, deixarem levar pelo nervosismo, e entrarem em parafuso. Essa necessidade louca de se fazer muito em pouco é algo que vem de tempos, lá do século XIX, no mundo pós-industrial, pós-moderno, que empurra o homem a querer mais, incentivado pelo capitalismo, que nesse sentido torna-se vilão da sociedade e ficamos desorientados pensando e pensando no que podemos fazer em tão pouco tempo dentro das nossas necessidades e vontades. E aí o problema começa a se tornar ainda maior, porque entra nessa equação louca de nossa vivência as vontades, que são inerentes ao ser humano, que vem desde sempre e norteia a nossa vida, inevitavelmente. Então prioridades devem ser feitas, pensar-se no que é importante, no que é inadivável, no que trará maior satisfação para cada um de nós. E, nesse princípio de ano, é o momento certo de fazermos isso, de colocarmos prioridades em nossa vida, em nosso cotidiano.

Priorize, para poder viver.