• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Pagando…

Engraçado como as coisas acontecem na vida da gente.

Alguns dias atrás coloquei uma postagem no “Caminhos…” criticando um motorista que agiu de forma completamente descontrolada no trânsito, fazendo ameaças de jogar o carro para cima de um motoqueiro e por aí vai.

As vezes a gente paga a nossa própria língua, e ontem, depois de muito tempo, eu tive um ataque de fúria no trânsito. Não cheguei a jogar o carro em cima de ninguém, mas me assustei por demais com minha reação ontem depois de um dia de trânsito absurdamente caótico na Grande Vitória.

Nada justifica minhas atitudes, meu descontrole e falta de educação com algumas pessoas que passaram por mim no trânsito e as quais eu acabei por ofender. Mesmo que elas tivessem feito coisas erradas, como o senhor andando na contra-mão da rua da minha casa (e que fazia questão de ostentar o selo da OAB no para-brisa do carro), nada justifica minhas reações de ontem. Agora, me pergunto: Por que chegamos em um nível assim?

Dirijo todos os dias no trânsito da Grande Vitória desde maio/2008. Já são mais de 3 anos. Nos primeiros dois, três meses, eu me estressava, xingava, buzinava e por aí vai. Depois, devido a alguns fatores, cheguei a conclusão de que nada adiantava agir de tal forma, pois isso não iria fazer o trânsito andar melhor, mas sim só trazer mal para a minha pessoa. E aí, simplesmente mudei. O trânsito virou uma espécie de terapia para mim. Entro no carro, dou a partida, ligo o som, coloco o cinto e começo o meu trajeto. De Vila Velha para Cariacica, todos os dias, passando pela Rodovia Carlos Lindemberg ou então pelo Darly Santos (atualmente, tenho passado pela segunda, devido a quantidade de buracos absurda na Lindemberg). Percorro, em média, 40 km por dia nesse trajeto. E depois que eu decide que não me deixaria mais estressar no trânsito, o fiz em paz, tranquilo, ouvindo minhas músicas, conversando com algum carona eventual, ou então falando sozinho. Mas, ontem… explodi.

Por que? Foi realmente só o trânsito. Nada além disso. No trabalho as coisas foram tranquilas no dia de ontem. Tenho dormido um pouco mal esses últimos dias, tensão por causa do final do ano letivo, e a vida de professor em fim de ano letivo fica meio corrida e conturbada mesmo, mas isso é normal. Pode ter sido o acúmulo de uma série de coisas? Talvez… Mas, mesmo assim, nada justifica, e não estou em busca de justificativas, pois não as quero. Apenas busco tentar entender o que ocorreu, justamente para que não venha a se repetir.

Para pensar com carinho…

Tenho observado com carinho, ultimamente, o trânsito. Passo uma pequena parte do meu dia no volante do meu carro, no trânsito urbano. Não é grande coisa, cerca de 200 quilômetros por semana, as vezes um pouco mais. Mas, esse pouco já me colocou para pensar, principalmente nesses últimos dias, no que vem acontecendo com a sociedade. O ato de dirigir nas cidades é uma grande demonstração de como o indivíduo se comporta e se importa com a convivência social. São poucos os momentos em que o indivíduo tem de se preocupar tanto com a coletividade como quando está dirigindo.

O ato de dirigir não é simplesmente colocar a chave na ignição, girá-la, pisar na embreagem, engatar a primeira marcha e sair com o carro. Dirigir é algo bem mais que apenas isso. Uma pessoa para pegar no volante e sair com seu carro tem de ter um senso de responsabilidade tremendamente grande. O carro é uma “arma” capaz de matar um grupo grande de pessoas e, justamente por isso, um sentimento de coletividade deve estar presente na mente de qualquer pessoa que dirija no trânsito infernal (ou não) que temos nas cidades brasileiras. Mas, infelizmente, não é o que venho observando… Vejo motoristas que pouco se importam com os outros carros que estão ao seu lado, com os pedestres que estão próximos às ruas, com ciclistas e outros que fazem parte do trânsito…

E, aí, me pergunto: Essa não preocupação com o coletivo no trânsito pode ser o demonstrador de algo mais em nossa convivência social? Posso estar exagerando? ALguns podem pensar que sim, mas… Não sei, é algo que devemos, pelo menos, pensar com carinho…