• Sobre mim mesmo…

    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Essência do ser

Partimos de um tudo, em busco de um ponto específico. Corremos fitando o horizonte, para chegarmos em locais próximos de nós. Interessante percebemos como essa situação toda se estrutura em nossa vivência, em nosso dia-a-dia.

O cotidiano é composto de certezas e incertezas, de erros e acertos, de possibilidades e impossibilidades. E, incrível é o quanto nos preocupamos com aquilo que nós é impossível. Não focamos nas questões que estão ao nosso alcance, dentro de nossa realidade.

Pensamos apenas em ter mais, em querer mais. Uma ambição desenfreada, que nos foi incutida pela realidade econômica que vivemos em nossa sociedade. A valorização exacerbada do ter, e ter sempre mais do que tínhamos antes e até do que nos é necessário para viver.

Apartamentos novos, com áreas de lazer imensas, piscinas, parquinhos, churrasqueiras. Carros novos, com ítens de conforto e segurança dos mais variados. Roupas “de marca”, feitas com “tecidos inteligentes”. Computadores e celulares de última geração, com funções das mais diversas. E a mídia, a propaganda, faz com que a sociedade acredite que tudo isso é de extrema necessidade para que venhamos a ser o que somos.

E, então, me lembro de Parmênides e a essência de sua contribuição para a filosofia na antiguidade. Da realidade imutável. Daquilo que nos faz ser. E tento entender porque então valorizamos tanto o sensível na constituição de nossa existência.

Um instante de revolta…

Uma seriedade há muito perdida, que me pergunto se em algum momento de nossa vivência será recuperada, pois vejo que a mesma é necessária, mas a geração atual, infelizmente, não enxerga dessa forma.

Tenho receio do que ando vendo em meio aos jovens da atualidade. A banalização tem chegado a níveis perigosíssimos. Vivemos uma “coisificação” em uma sentido completamente literal. Pode ser fruto de uma sociedade que já vive há mais de 200 anos num mundo pós-moderno, pós-industrial e baseado fortemente em um capitalismo de viés liberal, na qual vemos a valorização cada vez maior do indivíduo e uma não preocupação com a coletividade, mesmo que muitos tentem convencer os outros, e a si mesmos, de que vivemos em um coletivo e somos solidários e pensamos no próximo. Me desculpem aqueles que me lêem, mas não vivemos isso não. A solidariedade, a justiça, virtudes platônico-aristotélicas há muito foram abandonadas. As instituições que fazem parte de nossa sociedade bradam por aí, tentando convencer os indivíduos seres sociais a terem uma preocupação com o próximo, a praticarem a caridade, e a sociedade entendeu isso de uma forma equivocadíssima. São caridosos, mas da boca para fora. Uma caridade que é só para fazer as vezes de santos, de bonzinhos. Mas, quando você vai observar a fundo a pessoa, nota que ela é mesquinha, que se em nada se preocupa verdadeiramente com o próximo. Que utiliza o outro como escada, como se tudo estivesse bem, como se nada de errado estivesse acontecendo.

Sinceramente, sociedade mesquinha, falha e ridícula, faça-me o favor. Que essa geração pós-moderna e pós-industrial passe logo e venha outra, para que possamos tentar mudar realmente o que está ocorrendo em nosso meio, em nosso cotidiano, e possamos construir uma sociedade realmente preocupada com o coletivo, que pensa no indivíduo não como um único ser, mas como alguém inserido em um ambiente de coletividade. Para que possamos construir uma sociedade que a preocupação primeira seja, antes do outro, antes do eu, o todo. E, dessa forma, caminhemos para uma realidade, para um futuro, que se distancie daquilo que muitos filmes apocalípticos pintam em suas histórias, e consigamos atingir a humildade de entendermos que nada somos nesse mundo em que vivemos, e justamente porque nada somos, devemos viver de forma coletiva, apoiando-se uns nos outros, e não empurrando uns aos outros.

O fim… finda…

E finalmente chegamos ao fim.

Um ano um tanto confuso, de muita correria e mudanças. Conquistas foram grandes, bençãos foram enormes e, próximo dos fim, o antigo “eu” foi-se, e um novo nasceu, com mudanças e permanências, mas preparado para novas experiências cada vez mais maravilhosas e únicas em meu viver.

Mas, esse ano não foi de mudanças apenas no pessoal, longe disso. Como bem escreveu Danilo Barcelos Corrêa, em seu blog (Desde que o samba é samba), 2010 foi marcado pela queda das máscaras de nossa sociedade.  O Brasil, que vive uma pseudo-democracia, mostrou sua verdadeira face, altamente preconceituosa, derespeitosa e insana. Invasões policiais, fascismo sendo aplaudido, atentado contra cidadãos por suas escolhas sexuais e por aí vai. Motivos para tais absurdos? Podemos encontrar vários… Mas será que eles realmente justificam? Ou melhor: será que há justificativa para isso tudo, ou tais atos são apenas fruto da insanidade humana, da necessidade ridícula e inexplicável do ser humano de julgar o outro e de achar que apenas ele está correto em suas ações e escolhas? São questionamentos que devem ser feitos e permear o nosso pensamento nesse findar de 2010 e no alvorecer de 2011.