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    Adolfo Brás Sunderhus Filho é professor de História, Filosofia e Sociologia, que tem um mania de ficar observando tudo a sua volta e quando acha que algo é interessante (ou nem tanto) acaba por escrever por aqui sobre isso...
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Focos e direções

Outro dia li um comentário de um leitor de meu blog, enviado para mim via e-mail. Ele dizia gostar do meu blog, mas lhe incomodava o fato do mesmo não ter um foco, uma temática específica que permeasse todas as minhas postagens. Confesso que fiquei impressionado, pois não havia pouco tempo também tinha pensado a mesma coisa.

Escrevo aqui sobre os mais variados assuntos e coloco os mais diversos tipos de textos. Contos, poemas, reflexões sobre o nosso cotidiano e por aí vai. E, tenho de concordar com o meu leitor: tem horas que, acredito, a falta de foco tanto das estruturas textuais, quanto da temática pode ser um fator que faça as pessoas não revisitarem o blog, dado que não há um tema específico para o mesmo.

Esse é um problema que enfrento desde os tempos em que esse espaço se chamava “Grammaton” e, mesmo depois de mudar para “Caminhos…”, ainda assim a dificuldade de foco permaneceu. Mas, são tantos os assuntos que tenho vontade de desenvolver. São tantos os textos que começam a sair da minha mente e por meio dos meus dedos chegam até a tela do computador que não consigo filtrar os mesmos e dizer qual deve ou não ser publicado. Mas o foco começa a ser mais que necessário, pois esse espaço precisa de uma identidade, de uma cara. Então, não se espantem se alguns assuntos e tipos de texto simplesmente não forem mais publicados aqui nesse espaço, é apenas uma direção que esta sendo tomada.

Por onde andamos?

“Por onde andamos?”, um tanto perdido em meio a tantos destroços, tantos pedaços, tantos…

Realmente, era pra se desorientar um bocado depois de tudo que tinha acontecido. Algo de proporções tão grandes, de tamanho impacto era simplesmente inimaginável até para a mais pessimista, ou criativa, mente que se poderia ter notícia.

Tudo acontecera tão rápido, e também de maneira tão lenta. Era confuso. Sim! Sem dúvida alguma. Começou aos poucos, devagar tudo foi mudando, pelos menos para aqueles que prestaram atenção no que estava ocorrendo por debaixo, escondido nas entranhas que muitos simplesmente deixam de considerar, que vários não enxergam ou fingem que não existe. E, justamente por isso que para muitos o que aconteceu pareceu rápido, repentino, como que num “flash”, um tanto quanto instantaneamente, um tanto quanto que…

Por mais que algumas coisas que aconteceram aos poucos tenham sido percebidas. Tremores aqui, inundações acolá. Histerias no norte, epidemias no sul. Por mais que alguns… sinais (?) estivessem claros como a luz do dia, alguns simplesmente encontravam-se e viam-se em meio a trevas mais escuras do que o breu da madrugada sem lua e sem estrelas. E, por isso mesmo, dessa forma assim tão ingênua, pensaram, na verdade, nem isso… Simplesmente, acreditaram que tudo tinha ocorrido do nada, repentinamente, de uma hora pra outra. Como se fosse um evento cósmico, um desígnio, o destino inevitável, o fim inadiável.

E viu…

‑ O que vc está fazendo?

‑ O quê?!

‑ Você só pode estar louco!!! Não acredito que estou vendo isso… Não mesmo!!

‑ Ahhhh!!! Isso? Vai me dizer que você vai ficar aí esperando e não vai fazer nada?

‑ Mas isso é demais, cara!

‑ Demais?!?! Bicho… Sério… Você viu o que aconteceu?

‑Sim… Não tinha como não ver!

‑ Então… Viu a cor que ficou o céu? Viu aquele clarão lá no horizonte? Viu a escuridão que se deu de repente? Viu…

‑ Sim caramba! Já falei que vi…

‑ E você pensa que isso tudo é o que, meu caro?

‑ Sei lá… Só sei que você está passando do limite…

‑ Limite?!?! Limite?!?! Você só pode estar de brincadeira…

‑ Brincadeira?!?! Olha pra você mesmo… Olhe só pra você…

‑ O quê? Meu cabelo chamuscado? Meus dedos faltando? Meu rosto esfolado? As queimaduras nas minhas costas? Olhe para você mesmo antes de falar de mim…

E ele parou para se olhar, e viu que ao invés do outro, ele era cego.